Quarta-feira, 22 Julho 2026

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Investigadora da Uni-CV coassina estudo que coloca Brava em destaque na ciência mundial

A cabo-verdiana Vera Alfama, docente e investigadora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), é coautora de um estudo publicado na revista científica Geoheritage que identifica a ilha Brava como o único vulcão carbonatítico oceânico potencialmente ativo do mundo. A investigação reforça, assim, a importância científica da ilha e o seu potencial para a investigação em vulcanologia, a geoeducação, o geoturismo e a gestão dos riscos vulcânicos.

A ilha Brava poderá afirmar-se como uma referência internacional na investigação vulcanológica graças a um novo estudo científico que destaca a singularidade do seu património geológico. Publicado na revista Geoheritage, especializada em património geológico, o trabalho conclui que a Brava é o único vulcão carbonatítico oceânico potencialmente ativo do mundo.

O artigo, intitulado “Brava Island (Cabo Verde, West Africa): Great Volcanic Geodiversity on a Tiny Ocean Island”, foi desenvolvido por Vera Alfama, docente e investigadora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e do Centro de Geociências da Universidade de Coimbra, em coautoria com Maria Helena Henriques, docente e investigadora da Universidade de Coimbra.

Segundo a investigação, num território de apenas 64 quilómetros quadrados, a ilha reúne uma diversidade geológica invulgar, preservando evidências das diferentes fases da sua formação vulcânica, desde as manifestações submarinas que deram origem à ilha até às erupções ocorridas à superfície.

O estudo identifica e caracteriza 16 geossítios distribuídos pelas três principais unidades vulcanoestratigráficas da Brava. Doze correspondem a depósitos vulcânicos e quatro a formas de relevo, constituindo um verdadeiro arquivo natural da evolução geológica da ilha.

Entre os locais destacados encontram-se as lavas em almofada da Ponta Nhô Padre, testemunho da fase submarina de crescimento da ilha, as piscinas naturais de Fajã d’Água, o cone de escórias do Alcatraz, o maar de Fundo Grande e a caldeira de Campo Baixo.

As investigadoras sublinham que a Brava se distingue mundialmente pela presença de carbonatitos extrusivos, um tipo de rocha vulcânica extremamente raro. Em ambientes oceânicos, estas formações apenas são conhecidas em Cabo Verde e nas Ilhas Canárias. Contudo, a Brava é a única ilha do arquipélago cabo-verdiano onde estas rochas ocorrem tanto em fácies intrusiva como extrusiva, sendo esta última de formação muito recente.

Esta característica confere à ilha um elevado valor científico e patrimonial, tornando-a um laboratório natural para estudos em vulcanologia, geoeducação e avaliação de riscos vulcânicos.

Além da relevância para a comunidade científica, o estudo destaca o potencial da Brava para o desenvolvimento do geoturismo e para o reforço da educação em Ciências da Terra, contribuindo igualmente para aumentar a literacia das comunidades sobre riscos naturais, como escoadas de lava, fluxos piroclásticos, queda de cinzas e lahars.

As autoras defendem que a classificação dos 16 geossítios identificados poderá representar um passo importante para a conservação do património geológico da ilha, bem como para o ordenamento do território, o planeamento da proteção civil e a formação em riscos vulcânicos.

O estudo recorda ainda que a proximidade da ilha do Fogo, cujas erupções de 1995 e de 2014-2015 impulsionaram o geoturismo na região, demonstra o potencial que a Brava poderá desenvolver neste domínio, agora sustentado por uma base científica sólida. A classificação oficial dos geossítios é apontada como o próximo desafio para valorizar um património geológico considerado de referência internacional.

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