Quinta-feira, 11 Junho 2026

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Investigadora alerta para enfraquecimento do crioulo na Diáspora

A diretora da Cátedra Eugénio Tavares da Universidade de Cabo Verde, Fátima Fernandes, alertou esta semana, à margem do VII Encontro Cabo-verdiano de Língua Portuguesa, na cidade da Praia, para o risco de extinção progressiva do crioulo cabo-verdiano na diáspora, defendendo políticas públicas urgentes de preservação da língua junto das comunidades emigradas, onde a rutura na transmissão cultural já se faz sentir a partir da segunda geração.

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A investigadora sublinha que a língua constitui o principal pilar da identidade cultural cabo-verdiana e que a sua perda nas comunidades emigradas representa um corte profundo na transmissão de valores, memória e pertença entre gerações, com consequências que se agravam à medida que o tempo passa.

Segundo a mesma, o problema é mais visível onde a emigração é mais antiga. Em comunidades estabelecidas em cidades como Roma desde a década de 1950, existem hoje famílias na terceira e quarta geração que comunicam exclusivamente nas línguas dos países de acolhimento, sem qualquer contacto com o crioulo ou com a cultura de origem.

A investigação em curso entre a Universidade de Cabo Verde e a Universidade de Roma La Sapienza tem documentado esta realidade, revelando uma tendência de perda linguística que, segundo Fátima Fernandes, não é irreversível, mas exige intervenção atempada antes que o distanciamento entre gerações se torne definitivo.

Os primeiros resultados do estudo apontam, porém, que existe entre os jovens descendentes um interesse crescente em recuperar as suas raízes e conhecer a língua dos antepassados, uma abertura que a investigadora considera uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.

Para travar o afastamento linguístico, Fátima Fernandes defende o ensino bilingue nas comunidades emigradas, a formação de professores especializados em línguas de herança e o desenvolvimento de projetos académicos e culturais junto das diásporas, com o envolvimento de escolas, comunidades locais e instituições dos países de acolhimento.

A académica apela ainda a que o Estado cabo-verdiano assuma um papel mais ativo na promoção da língua no exterior, integrando o conceito de língua de herança nas políticas públicas como forma de dar resposta estruturada aos desafios linguísticos que as comunidades cabo-verdianas enfrentam pelo mundo.

Fonte: Inforpress

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