Quarta-feira, 05 Agosto 2026

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Era digital aumenta solidão entre jovens-revela sociólogo

A solidão deixou de ser um problema típico da velhice. Jovens entre os 18 e os 29 anos reportam sentimentos de isolamento social com mais frequência do que pessoas com mais de 65 anos, segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) analisados pelo sociólogo Henrique Varela.

O especialista atribui esta alteração ao impacto da era digital, à superficialidade das relações atuais e à ansiedade gerada pelas exigências da vida contemporânea. Conforme o sociólogo, a referida mudança rompe com um padrão que persistia há décadas. Historicamente, a solidão associava-se à viuvez, à perda de autonomia ou ao isolamento físico próprios da terceira idade. Um relatório da Comissão sobre Conexão Social da OMS explica que os jovens não sentem falta de contacto virtual, sentem falta de relações presenciais significativas.

Hoje, segundo os dados citados, é a fragilidade dos laços de proximidade entre os mais novos, e não a ausência de contactos digitais, que explica o fenómeno. Henrique Varela situa a origem do problema na pressão que a sociedade atual exerce sobre esta geração. Segundo Varela, os jovens vivem sob expectativas elevadas, tendo em conta que a rapidez das respostas raramente acompanha a rapidez com que os pedidos são feitos, gerando ansiedade e frustração que empurram muitos para o isolamento.

A esta pressão soma-se a normalização do trabalho remoto, a dispersão das famílias para zonas periféricas e a substituição do convívio de bairro por interações mediadas por ecrãs, fatores que, no seu conjunto, aprofundam a vulnerabilidade dos mais novos. O especialista alerta para o risco de uma “hiperconexão” enganadora, que afirma ser possível manter contacto permanente com dezenas de pessoas através de plataformas digitais e, ainda assim, passar semanas sem qualquer interação presencial profunda.

Para Varela, essa ilusão de proximidade tem custos que ultrapassam a esfera pessoal, ao enfraquecer valores como a solidariedade e a empatia e ao reduzir a procura por espaços de convívio físico, com reflexos diretos na economia local. Por isso, Organizações não-governamentais e serviços de saúde mental já começaram a ajustar a sua resposta a esta nova realidade, criando linhas de apoio dirigidas especificamente a jovens e a estudantes deslocados.

A urgência justifica-se, pois, especialistas em saúde pública associam a solidão vivida em idades precoces a um maior risco de depressão, perturbações de ansiedade e complicações cardiovasculares ao longo da vida. Por isso, defendem um investimento mais forte em espaços urbanos que favoreçam a coesão comunitária, sem prescindir, sublinha Varela, de uma mudança que também tem de partir do próprio indivíduo.

Fonte: Inforpress

Risco e Riso
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