Quarta-feira, 29 Julho 2026

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Emigração atrai dois em cada três jovens em Cabo Verde

Cerca de dois terços dos jovens cabo-verdianos manifestam intenção de emigrar, segundo os resultados do Inquérito Multiobjetivo Contínuo (IMC), sobre aspirações dos jovens cabo-verdianos, realizado no primeiro semestre de 2025 pelo Instituto Nacional de Estatística.

O estudo que reuniu 9.918 (nove mil, novecentos e dezoito) agregados familiares em todo o país, revelou que a procura de melhores oportunidades de emprego, salários mais atrativos e condições de vida superiores surgem como os principais motivos apontados por jovens entre os 15 e os 35 anos.

Essa realidade traz ao presente um dilema antigo dos cabo-verdianos e mostra a emigração como foco central da identidade insular: o desejo de partir em busca de uma vida melhor, em contraste com o apego à terra e às raízes que ficam para trás.  Quase um século depois, os números do INE sugerem que essa mesma tensão continua a marcar a vida de grande parte dos jovens do arquipélago.

O desejo de partir surge associado a uma visão maioritariamente crítica do mercado de trabalho nacional. De acordo com o estudo, mais de metade dos jovens inquiridos classifica as oportunidades de emprego disponíveis como fracas ou muito fracas, e apontam o baixo nível de educação e os salários inadequados como os principais entraves à integração profissional.

Entretanto, a taxa de desemprego jovem fixava-se em 10,7% à data do inquérito, um valor que sobe entre as mulheres, os residentes em zonas urbanas e os mais novos. Apesar deste cenário, as aspirações profissionais dos jovens mantêm-se elevadas, com preferência por lugares na Administração Pública ou pelo trabalho por conta própria com empregados a cargo.

Conforme a mesma fonte, a estabilidade profissional, os salários atrativos e um ambiente de trabalho saudável são os aspetos mais valorizados na escolha de um emprego. No campo do empreendedorismo, poucos jovens têm hoje uma empresa própria. Ainda que uma parte significativa diga querer avançar com um negócio nos próximos anos, apesar de considerar pouco favoráveis as condições do mercado empresarial.

Quanto às políticas públicas dirigidas à juventude, a maioria dos jovens inquiridos conhece programas de formação profissional e de estágios, mas afirma nunca ter beneficiado deles, considerando limitada a sua eficácia. A par da falta de emprego e dos salários baixos, o consumo de drogas sintéticas e de álcool figura entre os principais desafios identificados pelos próprios jovens para o seu grupo etário. Contudo, prosseguir os estudos, emigrar, procurar emprego e desenvolver projetos empresariais são as intenções mais referidas pelos jovens inquiridos.

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