Sexta-feira, 23 Outubro 2026

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Diretora da Artiletra defende fundo de apoio à imprensa privada

A diretora da Artiletra, Larissa Rodrigues, defende a criação de um fundo para apoiar a imprensa privada e os projetos culturais. Fez essa afirmação na cerimónia dos 35 anos da revista, realizada na quinta-feira, 22, na Praia, onde anunciou a entrada da revista nas plataformas digitais em janeiro de 2027.

Questionada sobre a sustentabilidade da revista, Larissa Rodrigues destaca que o país precisa de um fundo específico para os jornais privados e para outras iniciativas culturais e de comunicação social. Quer um apoio sólido e permanente, que considera essencial para garantir a continuidade das publicações. A diretora admite que não foi fácil manter a revista em circulação ao longo dos anos. Aponta, no entanto, a divulgação de figuras ligadas à cultura e à arte como uma das principais marcas do percurso da publicação.

Para Larissa Rodrigues, os 35 anos reconhecem o contributo da revista para a promoção da literatura, da memória histórica e da cultura cabo-verdiana. A cerimónia serviu também para lançar uma edição temática especial, dedicada ao percurso da Artiletra. A edição homenageia o músico Djirga, os Tubarões Azuis e personalidades de destaque dos setores financeiro e cultural cabo-verdianos.

Na mesma ótica, a escritora Vera Duarte, que fez a apresentação da revista, sublinhou que é raro um jornal ou uma revista chegar aos 35 anos em Cabo Verde. Os órgãos de comunicação social têm tido uma vida muito precária, disse, e as outras revistas literárias duraram menos tempo. Foram tantas tentativas de jornais e revistas de iniciativas privadas em Cabo Verde após a independência, são 51 anos, mas o calcanhar de Aquiles ainda é a sustentabilidade.

Antes, o jornal Voz di Povo, publicado desde 17 de julho de 1975, apenas 12 dias depois da independência, tinha sido a primeira revista literária do país, através do seu suplemento cultural. A Ponto e Vírgula, recordou, teve o primeiro número em março de 1983, publicou 17 edições e desapareceu em 1987. A Artiletra surgiu em maio de 1991, e ocupou o vazio deixado pelas revistas literárias.  

A Artiletra definiu-se, no início, como jornal de intercâmbio cultural e passou depois a jornal-revista de educação, ciência e cultura. Segundo Vera Duarte, estas publicações, como órgãos de informação e comunicação, tinham a missão de projetar o novo país e de contribuir para consolidar o ambiente de um país independente.

Vera Duarte defende que uma revista literária ajuda a construir a democracia, ao divulgar conteúdos que contribuam para uma sociedade de entrega, compaixão e bondade. Acrescenta que a liberdade de imprensa, a liberdade de investigação e a proteção do indivíduo devem ser preservadas, e que os textos devem promover a tolerância, a não violência e o respeito pelo outro.

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