
O Banco Comercial do Atlântico (BCA) concentrou 49% das reclamações apresentadas ao Banco de Cabo Verde (BCV) contra instituições bancárias em 2025, seguido pelo Banco Interatlântico (BI), com 19%, e pela Caixa Económica de Cabo Verde (CECV), com 16%, segundo o Relatório de Supervisão Comportamental divulgado pelo regulador.
O BCV recebeu 278 reclamações ao longo de 2025, numa média de 23 por mês. Deste total, 245 tiveram como alvo o setor bancário, que representou 88% das queixas e registou um aumento de 11,87% face a 2024. Apesar do BCA apresentar a maior percentagem de reclamações, o BCV ressalva que estes dados não permitem, por si só, medir a incidência das queixas em cada banco.
A autoridade considera necessário ter em conta a dimensão da carteira de clientes e o número de contas bancárias ativas de cada instituição para uma comparação mais equilibrada. Conforme o mesmo documento, a gestão de contas bancárias foi o assunto que mais motivou reclamações junto do BCV, com 61 casos registados em 2025.
Enquanto a categoria “Fraude” surge entre os temas destacados no relatório, com 25 reclamações e um crescimento de 150% em relação ao ano anterior. O BCV associa esta evolução aos desafios que acompanham a crescente utilização dos serviços financeiros digitais e à necessidade de reforçar a segurança dos canais eletrónicos. O crédito ao consumo, o internet banking, os cartões de débito e o crédito à habitação também figuram entre os assuntos que geraram mais reclamações no setor bancário.
Seguros também registam aumento
O setor segurador registou igualmente uma subida das reclamações. As ocorrências passaram de 26, em 2024, para 33, em 2025, representando um crescimento de 26,92%. No conjunto do sistema financeiro, as intervenções do BCV no acompanhamento das reclamações permitiram a restituição de 3.154.582 (três milhões, cento e cinquenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e dois) escudos aos clientes.
Durante o ano, o regulador adotou ainda 25 medidas de supervisão, entre as quais 15 recomendações e dez determinações específicas, destinadas a corrigir irregularidades e melhorar as práticas das instituições financeiras. Na área da educação financeira, o BCV manteve as iniciativas previstas no Plano Nacional de Educação Financeira, incluindo a Global Money Week, a Semana da Poupança e o projeto “Educação Financeira Fácil para Todos”. As atividades envolveram 879 crianças, jovens e adultos ao longo de 2025.

















































