
Cabo Verde precisa mobilizar cerca de 163 milhões de dólares por ano até 2030 para acelerar a transformação estrutural da sua economia e reduzir a dependência de um número reduzido de setores, segundo o Country Focus Report 2026 do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), divulgado esta semana.
O valor, equivalente a 7,3% do Produto Interno Bruto de 2024, é apontado pela instituição como o montante mínimo necessário para diversificar a base económica do país e reforçar a sua resiliência. Segundo o BAD, este investimento é indispensável para que Cabo Verde consiga elevar o ritmo de crescimento económico dos atuais cerca de 4% para 7% ao ano, uma meta que exige não só mais capital, mas também ganhos de produtividade e um reforço significativo do capital humano.
O relatório sublinha que sem esta aceleração do investimento, o país continuará dependente de um número limitado de setores, com destaque para o turismo. O montante identificado, no entanto, está longe de cobrir todas as prioridades de desenvolvimento definidas pelo país.
Quando são contabilizados os investimentos previstos no Programa Estratégico de Desenvolvimento Sustentável, as necessidades totais de financiamento disparam para cerca de 1,4 mil milhões de dólares por ano, um valor que inclui áreas como habitação, saúde, proteção social, segurança nacional, saneamento e a consolidação de Cabo Verde como plataforma digital e turística.
Para fazer face a este fosso financeiro, o BAD defende uma estratégia assente em várias frentes: maior mobilização de recursos internos, melhoria da gestão das finanças públicas, aprofundamento da inclusão financeira e formalização da economia informal, que atualmente representa cerca de 34,9% do PIB. A instituição recomenda ainda o recurso a parcerias público-privadas, ao mercado regional de capitais, ao investimento da diáspora e a instrumentos de financiamento climático.
No plano fiscal, o relatório reconhece que Cabo Verde tem feito progressos, com as receitas fiscais a duplicarem entre 2020 e 2025, de 32,9 mil milhões para 66,1 mil milhões de escudos. Ainda assim, o BAD considera este crescimento insuficiente face às necessidades de investimento identificadas.
Por isso, defende o alargamento da base tributária e a revisão de isenções fiscais como forma de reforçar a capacidade do Estado para financiar o seu desenvolvimento. Entre os setores com maior potencial para diversificar a economia, a instituição destaca a economia azul, as pescas, as tecnologias de informação e comunicação e o setor financeiro.
















































