Sábado, 05 Setembro 2026

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AAI alerta para desafios na integração de imigrantes no país

A presidente da Alta Autoridade para a Imigração (AAI), Carmem Barros afirma que a falta de documentação não é o principal obstáculo à integração dos imigrantes em Cabo Verde, mas sim o baixo nível de escolaridade e a ausência de qualificação profissional, que comprometem o acesso ao trabalho formal e à regularização.

A responsável aproveitou para anunciar o lançamento de uma campanha nacional de capacitação linguística para responder a estas fragilidades estruturais, tendo em conta a aceleração dos fluxos migratórios. “A documentação não é o maior problema. A grande questão é aquilo que leva à dificuldade da regularização: o nível de escolaridade, a qualificação profissional, a inserção e a atividade que desenvolve”, afirmou Carmem Barros, invertendo a leitura comum que associa a exclusão à falta de papéis.

Para fazer face a este diagnóstico, a AAI prepara-se para lançar, ainda este ano, a campanha nacional “Informar para Integrar”, que inclui cursos de Língua Portuguesa para imigrantes adultos, promovidos em parceria com a Direção Nacional de Educação.

O objetivo é dotar os estrangeiros de competências básicas de comunicação no quotidiano, aumentar a sua autonomia na sociedade cabo-verdiana e reduzir as barreiras linguísticas que os afastam do mercado de trabalho e dos serviços públicos. A aposta na formação linguística surge na sequência de um crescimento acentuado da procura junto da AAI, que tem registado uma “chegada grande” de novos imigrantes nos últimos tempos.

Carmem Barros reconheceu que as ações do organismo “têm que ser mais aceleradas” para acompanhar este ritmo, embora admita que a cobertura geográfica dos serviços da AAI ainda não chega a todo o território nacional, e que os recursos financeiros das instituições parceiras são limitados.

Paralelamente à campanha, a AAI já disponibilizou um serviço piloto de interpretação telefónica nos serviços públicos, uma solução de resposta imediata para suprir as barreiras linguísticas mais urgentes. Contudo, a presidente do organismo deixou claro que a estratégia de fundo passa pela capacitação direta dos imigrantes no domínio do português e do crioulo, e não pela dependência de tradutores.

A responsável não escondeu, porém, a complexidade do desafio. “Lidamos com um perfil de pessoas que vêm e têm que trabalhar. Têm que trabalhar, não têm tempo para estudar. Há esse enorme desafio”. Aponta ainda a dificuldade de conciliar a subsistência quotidiana com a frequência de formações.

Para contornar esta realidade, a AAI tem privilegiado o acesso à alfabetização e à formação profissional sem exigência de níveis de ensino prévios, bem como a formalização do trabalho, para criar pontes entre a aprendizagem e a sobrevivência económica.

Fonte: Inforpres

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