Quinta-feira, 25 Junho 2026

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Sal: Especialistas apelam à soberania digital de África

A urgência de África assumir um papel ativo na construção das suas próprias infraestruturas digitais dominou os debates da terceira edição do Africa Global Carrier Connectivity Meeting, que decorre na cidade de Santa Maria, na ilha do Sal. O evento reúne mais de trezentos decisores e operadores mundiais de telecomunicações em torno do futuro da conectividade no continente.

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O diretor de estratégia da Senegal Numérique, Babacar Niang, alerta para os riscos de África ser um continente que continua a consumir tecnologia sem a produzir. “África não deve ser um espectador ou um consumidor passivo da inteligência artificial. O nosso continente tem a oportunidade histórica de desenhar e construir uma infraestrutura inteligente que possui o seu próprio desenvolvimento”, afirmou, num apelo direto à ação coletiva entre operadores, governos e parceiros tecnológicos.

Niang argumentou que a inteligência artificial deixou de ser uma questão de software para se tornar uma questão de infraestrutura física. Na sua visão, as redes do futuro têm de ser robustas, inteligentes e, acima de tudo, soberanas, para permitir ao continente passar de uma gestão reativa para uma manutenção preditiva das redes e das fibras óticas, com otimização do tráfego em tempo real e menor dependência do exterior.

O estrategista senegalês defendeu que a soberania digital assenta em dois pilares indissociáveis: a inteligência coletiva e o controlo dos dados transportados pelas redes africanas. Para concretizar essa visão, o Senegal aposta numa cloud soberana sustentada por centros de dados regionais e na expansão da conectividade transfronteiriça através da rede oeste-africana WADEN. Niang sublinhou que Cabo Verde e o Senegal partilham a mesma ambição de colocar África na liderança desta transformação global.

A directora executiva da Carrier Community, Wida Schmidt, por sua vez, iniciou os trabalhos enaltecendo o papel do encontro como uma plataforma desenhada para fazer a região prosperar, e anunciou uma agenda centrada nos temas mais prementes do setor. “Hoje e amanhã vamos abordar alguns temas importantes na nossa indústria, a partir de inteligência artificial, centros de dados, segurança, conectividade global, cloud e transformação”, adiantou.

A escolha de Cabo Verde para acolher um fórum desta dimensão não é acidental. O arquipélago tem vindo a afirmar-se como plataforma estratégica para a soberania digital em África, beneficiando de uma posição geográfica que o coloca naturalmente no cruzamento das rotas de cabos submarinos entre África, Europa e as Américas, um ativo cada vez mais valorizado.

Fonte: Inforpress

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