Segunda-feira, 04 Maio 2026

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ONU alerta para aumento de ataques contra jornalistas

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, alertou hoje para o agravamento dos ataques contra jornalistas em várias regiões do mundo, defendendo medidas urgentes para reforçar a proteção da liberdade de imprensa e pôr fim à impunidade que continua a marcar crimes contra profissionais da comunicação social.

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Numa mensagem alusiva ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, assinalado a 03 de Maio, Guterres sublinhou que, apesar de se dizer que a verdade é a primeira vítima da guerra, “com demasiada frequência, as primeiras vítimas são os jornalistas que arriscam tudo para relatar a verdade”, destacando o papel essencial destes profissionais na denúncia de abusos, conflitos e violações de direitos humanos.

De acordo com o líder da ONU, os jornalistas enfrentam atualmente um conjunto de ameaças cada vez mais complexas e diversificadas, que incluem censura, vigilância digital, assédio judicial, campanhas de desinformação, detenções arbitrárias e até assassinatos, sendo frequentemente alvo direto em zonas de conflito ou contextos politicamente sensíveis.

António Guterres chamou a atenção para o aumento significativo do número de jornalistas mortos nos últimos anos, denunciando que cerca de 85% dos crimes cometidos contra estes profissionais continuam sem investigação ou julgamento. Para o responsável, este cenário configura um nível de impunidade “inaceitável” e contribui para perpetuar um ciclo de violência e intimidação contra a imprensa.

Na mesma mensagem, o secretário-geral alertou ainda para os desafios emergentes associados às transformações tecnológicas e económicas no sector dos media. Segundo explicou, a proliferação de desinformação, a manipulação activa de conteúdos e as pressões financeiras sobre os órgãos de comunicação social estão a fragilizar o jornalismo independente e a comprometer a qualidade da informação disponível ao público.

“Quando o acesso à informação fidedigna desaparece, a desconfiança instala-se. Quando o espaço público é contaminado por distorções, a coesão social enfraquece”, advertiu, sublinhando que estes fenómenos representam riscos concretos para a democracia e para a estabilidade das sociedades.

Guterres reforçou que a liberdade de imprensa constitui um pilar fundamental para a protecção dos direitos humanos, o desenvolvimento sustentável e a promoção da paz, defendendo que “toda a liberdade depende da liberdade de imprensa”.

Perante este cenário, apelou à comunidade internacional, governos e instituições para que adoptem medidas concretas que garantam a segurança dos jornalistas, reforcem os mecanismos de responsabilização e criem condições favoráveis ao exercício livre, independente e seguro do jornalismo.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi instituído em 1993 pela UNESCO, com o objectivo de assinalar a importância da liberdade de imprensa, avaliar o seu estado a nível global e alertar para as violações que continuam a afectar jornalistas em diversas partes do mundo.

A efeméride serve também para recordar os profissionais que perderam a vida no exercício da sua missão e reforçar o compromisso internacional com a defesa de um jornalismo livre, plural e independente, considerado essencial para o funcionamento das sociedades democráticas.

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