Segunda-feira, 15 Junho 2026

Grande Entrevista

Realizada por cortesia de Álvaro L. Andrade

Bubista: “A equipa está tranquila” e vai mostrar “o nosso País a todos”

A seleção de futebol de Cabo Verde estreia-se nesta segunda-feira, 15, em Atlanta, nos Estados Unidos da América, num Mundial de Futebol. Os Tubarões Azuis têm pela frente a Espanha, segunda equipa no ranking da FIFA, mas o selecionador Pedro Leitão de Brito, Bubista, garante que a equipa está tranquila e que, apesar do favoritismo dos espanhóis, no terreno de jogo “as coisas se nivelam” e que o grupo vai lutar por pontos para alcançar os seus objetivos.

Bubista, o timoneiro dos Tubarões Azuis

O “Senhor Tranquilidade” podia ser o nome de Bubista, que revela uma tranquilidade total mesmo à beira de se estrear no maior palco do futebol mundial. Apesar da agenda apertada, entre treinos, administração do grupo e compromissos, o timoneiro dos Tubarões Azuis conversou comigo desde Atlanta, no Estado da Geórgia, onde Cabo Verde joga hoje.

Álvaro Ludgero Andrade (ALA) De sonho a realidade, está a horas da estreia no Mundial de Futebol como técnico da selecção de Cabo Verde. Qual o sentimento neste momento, muita expectativa?

Bubista Mais do que expectativa,  é a tranquilidade que a equipa demonstra. Estamos satisfeitos com a  trajetória que fizemos em termos de estágio, estamos tranquilos, esperamos fazer um bom jogo para que os cabo-verdianos se sintam orgulhosos da nossa equipa.

ALA Considerando que o primeiro adversário é a Espanha, segundo no ranking mundial da FIFA, e que é a estreia de Cabo Verde num Mundial, a preparação tem sido mais técnico-táctica, mais mental, ou ambas?

B  Esses dois aspectos não se separam. Temos vindo a transmitir à equipa a tranquilidade necessária. É natural que a Espanha tenha o seu favoritismo pela experiência que tem na competição, pelo que representa a nível mundial, no entanto, o que temos dito à equipa é que quanto se entra em campo muitas coisas se nivelam, o jogo é feito dentro das quatro linhas e que palavras usadas fora do campo ou a percentagem (de favoritismo) que se atribui às equipas não têm valor. A nossa equipa tem demonstrado tranquilidade em momentos difíceis e procura ultrapassá-los, por isso o que nos resta é passar (aos jogadores) essa tranquilidade e faze-los ver que em 90 minutos temos sempre a possibilidade de fazer coisas positivas. O mais importante é mostrar o nosso futebol ao mundo e o nosso país a todos.

ALA  A selecção nacional irá apresentar um esquema táctico semelhante ao que tem exibido nos últimos tempos, nomeadamente desde o CAN`2023, ou há uma preparação especial por ser o primeiro jogo e ser Espanha?

B  Cada adversário necessita de um toque diferente, digamos assim, mas nós não fugimos da nossa identidade, que estará presente na Copa. Obviamente há ajustes em aspectos tácticos. A Espanha vale pelo seu conjunto, o trabalho que temos feito é em relação a toda a equipa, sabemos o que temos de fazer e esperamos colocá-lo em prática, para que fiquemos satisfeitos no final do jogo com o que foi realizado dentro de campo.

ALA  Nas redes sociais e nas conversas com os adeptos cabo-verdianos, há uma expectativa em passar à segunda fase. É um objectivo da equipa que vai enfrentar dois campeões do mundo?

B  (Risos). Temos um objectivo dentro do grupo, mas mais do que esse objectivo é disputar estes três jogos com dignidade, com coragem, procurando sempre fazer o melhor para o nosso país que, obviamente, é procurar pontos. Não poderemos avançar se não pontuarmos, por isso, vamos disputar os jogos à procura de pontos. A nossa equipa está consciente disso e se perguntares a qualquer elemento do grupo irá te dizer o mesmo. Conhecemos o nível de dificuldade que vamos enfrentar, considerando os nossos adversários, muito experientes na competição e com nome no panorama mundial, mas confiamos no trabalho que temos feito, na nossa preparação, confiamos nos nossos jogadores e, como não há outro meio, em cada jogo vamos procurar o melhor resultado possível.

ALA Muitos cabo-verdianos, principalmente na diáspora, têm dito e escrito que esta participação no Mundial é o momento mais alto do pais depois da Independência Nacional. As redes sociais estão inundadas de incentivos, expectativas e manifestações de apoio à selecção, aqui nos Estados Unidos, desde Boston, Pawtucket, Connecticut e Atlanta, tem havido um banho de apoio aos Tubarões Azuis. Todo este momento provoca mais ansiedade na equipa ou dá mais confiança.

B  Dá mais confiança. Tudo o que temos recebido do povo cabo-verdiano tem sido extraordinário, nas ilhas onde estivemos, em Portugal, aqui nos Estados Unidos, nos jogos que realizamos, através da comunicação social e das redes sociais. O que nos resta é trabalhar agora para que todos os cabo-verdianos tenham muito orgulho do que a selecção vai fazer na Copa. Como tenho dito, a nossa qualificação para o Mundial não é só desportiva, mas é cultural, é tudo o que faz com que o nosso país seja conhecido no mundo. Os cabo-verdianos têm demonstrado uma dinâmica extraordinária durante esta campanha e por isso tenho vindo a dizer que nenhum país festejará a Copa do Mundo mais do que o nosso. Mais do que o resultado em si, importa a nossa participação como equipa, com a nossa identidade para que todo o cabo-verdiano onde estiver possa sentir o orgulho de ser cabo-verdiano.

A selecção cabo-verdiana integra o Grupo H, juntamente com a Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Os dois restantes compromissos nesta fase serão no dia 21, em Miami, contra os sul-americanos, e 26 em Miami, contra os sauditas.

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