Terça-feira, 09 Junho 2026

Grande Entrevista

Raphaël de Pooter: Um coração, três batidas diferentes no Mundial 2026

Nascido na Bélgica, filho de pai belga e mãe cabo-verdiana, Raphaël De Pooter carrega em si três mundos: a Bélgica onde cresceu, Cabo Verde que sente como casa e Portugal que abraçou pelo futebol e pela história. A dois dias do início do Mundial 2026 – onde Cabo Verde vai estar pela primeira vez –, as bandeiras dos três países já estão na janela da sua casa em Bruxelas. E se alguém lhe pedir para escolher uma só, a resposta é simples: não consegue.

Voz do Archipelago (VA) Raphaël, fale-nos um pouco sobre a tua origem?

Raphaël de Pooter (RP) – Olá, chamo-me Raphaël de Pooter, vivo na Bélgica e sou mestiço, de origem belga e cabo-verdiana.

VA ─ Como descreverias a tua identidade?

RP – Meu pai Patrick de Pooter é belga, e minha mãe Marizia Vera-Cruz é cabo-verdiana. Tenho muito orgulho das minhas duas origens, mas, por vezes sinto-me mais cabo-verdiano do que belga, porque adoro a mentalidade cabo-verdiana.

VA ─ Que línguas falas em casa, e de que forma a língua influencia a tua ligação a cada parte da sua herança cultural?

RP ─ Em casa falo neerlandês e francês, porque cresci em Bruxelas, onde as duas línguas são utilizadas. Infelizmente, não falo crioulo, porque já era complicado para os meus pais lidarem com duas línguas. No entanto, consigo compreendê-lo e desenrasco-me quando é necessário.

VA ─ Já visitaste Cabo Verde? Como foi essa experiência para ti?

RP ─ Sim, tive a sorte de visitar Cabo Verde duas vezes. Da primeira vez, ainda não existiam todos os hotéis que existem atualmente e foi uma experiência fantástica, porque era possível ir praticamente a todo o lado. Na segunda vez, fui com a minha esposa e o meu filho, e também foi muito bom, mas já não era possível visitar alguns locais sem pagar, como as Salinas. Ainda assim, continua a ser o meu país.

VA ─ Quando te tornaste adepto do Sporting Clube de Portugal?

RP ─ Tornei-me adepto do Sporting muito cedo, porque sabia que o meu avô, Hugo Vera-Cruz, era um grande fã do clube. Além disso, quando fui a Portugal pela primeira vez, vi que o meu tio Chico é um grande sportinguista, e apaixonei-me verdadeiramente pelo Sporting. Também me tornei adepto porque admiro muitos dos grandes jogadores que saíram da academia do clube, como Figo, Ricardo Quaresma e outros.

VA ─ No Campeonato do Mundo vais apoiar três seleções — Bélgica, Cabo Verde e Portugal. Se, num universo paralelo, as três chegassem à final, por quem torcerias?

RP ─ É uma excelente pergunta e muito difícil de responder. A Bélgica e Cabo Verde representam as minhas origens, e Portugal também o considero como o meu país, tendo em conta a história que nos liga. Não acredito que conseguisse escolher uma só seleção, e é precisamente por isso que coloquei as três bandeiras na janela da minha casa. Acima de tudo, estou muito entusiasmado e orgulhoso por Cabo Verde se ter qualificado, pela primeira vez na sua história, para um Campeonato do Mundo.

VA ─ Cabo Verde ainda está a construir a sua presença no futebol mundial. O que significaria para ti vê-lo brilhar no palco global?

RP ─  É motivo de grande orgulho para mim ver Cabo Verde crescer no futebol, sobretudo porque a nossa história nesta modalidade é relativamente recente. Estou convencido de que vamos alcançar grandes feitos no futuro, tanto no futebol masculino como no feminino, porque também as mulheres têm vindo a evoluir bastante. Não podemos esquecer que foi igualmente a primeira vez que a seleção feminina se qualificou para a CAN Feminina. Força Cabo Verde!

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