Sexta-feira, 03 Julho 2026

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Mundial provoca “explosão” de Cabo Verde na Argentina

O jogo entre Cabo Verde e a Argentina está a gerar uma enorme expectativa entre os milhares de descendentes de cabo-verdianos que vivem naquele país da América do Sul. A Sociedade Caboverdena em Argentina, que não tem voz para medir ante a enorme atenção da midia local e estrangeira, tem sido o “palco” para muitos acompanharem os jogos, entre gritos e aplausos.

A participação dos Tubarões Azuis no Mundial de Futebol activou a “cabo-verdianidade” de muitos descendentes de imigrantes das ilhas na terra das pampas que o presidente da  Sociedade Caboverdena em Argentina calcula rondar os 15 mil. “Aqueles que não tinham essa cabo-verdianidade sentiram-se picados agora, aqueles que tinham um pouco ela despertou e os que já a viviam, ela aumentou muito mais”, diz Javier Andrigo.

Na conversa com Vozdoarchipelago.cv, ele realça que “o que esses rapazes estão a fazer ultrapassou muito o aspecto futebolístico, levou o nome de Cabo Verde a todo o mundo, activa a economia, já que sabemos que Cabo Verde depende muito do turismo, e, claro, mostra a enorme cultura”. Esta visibilidade “sente-se aqui, não só pela reactivação dessa cabo-verdianidade, como também pela enorme procura da imprensa em torno de Cabo Verde.

A Sociedade Caboverdena em Argentina, que acolhe regularmente 150 pessoas nas suas actividades, número que tem aumentado durante a Copa, tem na parede um quadro com uma reportagem feita em 1994 por um importante meio de comunicação, sobre a comunidade cabo-verdiana. Agora, Javier Andrigo nota que nessas duas semanas já saíram mais de 34 reportagens nos principais meios argentinos, tanto da imprensa, rádio e televisão, na Globo, do Brasil, Aljazeera e  inúmeros meios digitais. “Tem sido um trabalho intenso de promoção de Cabo Verde”, acrescenta.

Para o jogo de hoje, aquele responsável comunitário, filho de cabo-verdianos, afirma que a comunidade está dividida: “aqueles que dizem sou argentino, vou apoiar a Argentina, até aqui chegou o meu amor por Cabo Verde, há aqueles que dizem nasci na Argentina, mas tenho sangue cabo-verdiano, sou 100 por cento argentino e 100 por cento cabo-verdiano, e há quem apoia literalmente por Cabo Verde”.

No caso dele, “sei que Cabo Verde tem altas possibilidades de perder com a Argentina, já que há figuras argentinas que em duas jogadas podem fazer um golo que determina o resultado, mas eu apoio Cabo Verde porque esses rapazes conseguiram o que ninguém pensava ser possível”. Javer Andrigo destaca o enorme trabalho táctico da equipa, compacta, sólida e muito companheirismo entre eles “que são valores a resgatar no futebol de hoje”.

Miriam Gomez, é uma proeminente professora, escritora e activista dos direitos humanos na Argentina e descendente de cabo-verdianos que participa activamente na vida comunitária. Nas redes sociais, ela ressaltou o “caminho que Cabo Verde percorreu até chegar aonde está” e também o “progresso da nossa comunidade que existe há mais de 100 anos”.

Quanto ao jogo, ela afirma que é “100 por cento argentina e 100 por cento cabo-verdiana”. A procura por camisas dos Tubarões Azuis e outros símbolos nacionais aumentou exponencialmente. “Recebemos mais de 150 pedidos”, revela Andrigo, quem acentua o facto de “Vozinha passar a ser uma figura central”. E conclui: “todos estão apaixonados por Cabo Verde, sejam ou não descencendentes”..

A Sociedade Caboverdeana em Argentina é uma activa organização conhecida por promover a cultura e o nome do arquipélago no pais, para onde os cabo-verdianos começaram a emigrar nos finais do século 19.

Risco e Riso
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