
A Uni-CV está a realizar um projeto inovador que pretende transformar os mercados e feiras municipais da Praia em espaços de diálogo, escuta pública e construção de soluções comunitárias. É o “Konbersu-l Merkadu” e, depois da estreia no Mercado Municipal (Plateau), em abril, a segunda roda de conversa está agendada para o Mercado do Sucupira, no dia 27 de maio, às 15h00.
A iniciativa é coordenada por Eufémia Vicente Rocha, docente e investigadora da Faculdade de Ciências Sociais, Humanas e Artes (FCSHA) da Uni-CV, e nasce de uma colaboração com Alípio Clarence Filho, jornalista e ativista emigrante nos Estados Unidos da América. “Foi ele que me propôs que fizéssemos conversas nos mercados”, conta a coordenadora, sublinhando que a sua experiência como académica e coordenadora do grupo disciplinar de Ciências Sociais a ajudou a perceber a importância desta aposta.
Da universidade para a comunidade
O projeto envolve o Grupo Disciplinar de Ciências Sociais da FCSHA — que reúne antropólogos e cientistas políticos —, um grupo de ativistas sociais e o projeto Mural 3D Rostus di Pan-Afrikanismu. Em conjunto, os parceiros propõem-se a levar a universidade para fora das suas paredes, aproximando-a dos mercados, das vendedeiras, dos consumidores e de todos os que circulam nesses espaços.
“A nossa intenção é juntar a universidade com ativistas sociais e movimentos associativos, aproximando-nos das comunidades e dos agentes económicos”, explica Eufémia Vicente Rocha. O objetivo é tornar os mercados e feiras — tradicionalmente espaços de compra e venda — em lugares também organizados para acolher diálogos inclusivos sobre o quotidiano de quem neles trabalha e os frequenta.
Diagnóstico e retorno útil para a gestão municipal
Mais do que conversar, o projeto tem uma ambição clara: gerar dados qualitativos que contribuam para melhorar as condições dos mercados e para informar decisões da gestão municipal. Os temas em foco incluem higiene, saúde pública, segurança, bem-estar das vendedeiras, investimentos em infraestruturas e manutenção dos espaços — incluindo questões como casas de banho e locais para refeições.
Após cada roda de conversa, será elaborada uma síntese a entregar ao SEPAMP (Serviço dos Espaços e Parques Municipais da Praia), propondo à Câmara Municipal da Praia que se torne parceira institucional da iniciativa. “Estamos a falar de um mecanismo regular de diagnóstico rápido sobre os mercados, as suas dinâmicas e prioridades, para dar um retorno útil ao gestor municipal e melhorar o dia a dia de quem lá trabalha e quem lá vai”, resume a coordenadora.
Formato e calendário
As rodas de conversa têm uma duração prevista de 90 a 120 minutos, realizam-se mensalmente em diferentes espaços de comércio do município da Praia, e decorrem entre março e outubro de 2026. Entre os resultados esperados estão a contribuição para políticas municipais, o reforço da educação cidadã, a participação comunitária e a melhoria da comunicação entre a Câmara Municipal, as vendedeiras e os utentes dos mercados.












































