
Quase metade dos jovens africanos considera que o continente está a seguir a direção certa, um nível de otimismo que não se via desde antes da pandemia, segundo o Inquérito à Juventude Africana 2026, divulgado na quinta-feira, 29, pela Fundação da Família Ichikowitz.
O estudo, que ouviu 4.901 jovens entre os 18 e os 24 anos em 16 países africanos, entre os quais Moçambique, mostra que a avaliação positiva sobre o rumo do continente subiu de 37% em 2024 para 43% este ano. A confiança no futuro não é, no entanto, transversal a todo o continente. Enquanto o otimismo ultrapassa os 60% em países como o Ruanda, a Somália, o Burquina Faso e o Gana, o Quénia e a África do Sul distanciam claramente da tendência geral, com sete em cada dez jovens nestes dois países a considerar que a sua nação caminha na direção errada.
Pela primeira vez desde que este inquérito começou a ser feito, em 2020, os jovens africanos colocam a criação de empregos bem remunerados e a redução da corrupção governamental no topo das suas prioridades, à frente de preocupações como a instabilidade política ou as doenças infeciosas. O aumento do custo de vida surge como o fator que mais lhes tem pesado na vida nos últimos cinco anos.
O estudo revela ainda uma mudança significativa na forma como estes jovens encaram os Estados Unidos. Se em 2024 uma parte considerável esperava mais benefícios de uma administração liderada por Joe Biden do que por Donald Trump, hoje a maioria diz confiar que o Governo Trump possa trazer melhorias ao seu país, sobretudo nas áreas da segurança e do combate ao terrorismo.
Ainda assim, mantém-se uma desconfiança de fundo, pois mais de metade teme que Washington ignore o direito internacional para garantir acesso a recursos naturais em solo africano, e quase metade considera que o fim da agência norte-americana para o desenvolvimento, a USAID, terá um impacto negativo no seu país, receio que é particularmente elevado em Moçambique.
O responsável pelo estudo, Ivor Ichikowitz, interpretou esta evolução como reflexo de uma leitura mais pragmática da política internacional por parte dos jovens africanos, que tendem a valorizar relações baseadas em interesses mútuos e resultados concretos, mais do que em ajuda externa ou discursos de valores. Quanto à China, o inquérito mostra que continua a ser vista de forma mais favorável do que os Estados Unidos.
No plano político interno, o estudo conclui que os jovens africanos permanecem comprometidos com a democracia, mas rejeitam o modelo ocidental como referência única. Defendem antes um modelo próprio que associe eleições livres e transparentes a resultados palpáveis, como emprego e melhores serviços públicos. A maioria diz ainda sentir-se segura no seu país, embora associe a segurança sobretudo a fatores económicos, como o desemprego e a pobreza, mais do que a ameaças físicas diretas.
















































