Segunda-feira, 07 Setembro 2026

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III Marcha Cabral leva luta anticolonial às ruas de Lisboa

A Konferénsia Panafrikanu di Lisboa promove, no dia 12 de setembro, pelas 14h30, a III Marxa Cabral, uma manifestação que percorre a Avenida da Liberdade, entre o Marquês de Pombal e o Largo de São Domingos, sob o lema “Em Defesa da Terra i pa Vida: Reconhecer, Reparar, Descolonizar”.

O objetivo é debater o pensamento de Amílcar Cabral à luz da crise ecológica e reivindicar a agenda panafricanista das reparações. A iniciativa, inspirada nas marchas homónimas realizadas em Cabo Verde, reúne vários movimentos e organizações negras, bairros, associações e coletivos ligados às lutas anticolonial e anticapitalista.

Segundo os organizadores, a proposta parte da ideia de que a luta contra o racismo e o colonialismo está indissociavelmente ligada à defesa da terra e da vida. Por isso, a iniciativa pretende retomar referências do trabalho de Cabral sobre a erosão dos solos em Cabo Verde, a investigação em Angola, o contacto com comunidades rurais na Guiné-Bissau e da solidariedade com trabalhadores rurais no Alentejo.

Os promotores da marcha associam ainda a iniciativa ao facto de Portugal se ter abstido, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, na votação que reconheceu a escravatura e o tráfico transatlântico de africanos escravizados como crime contra a humanidade. Defendem que a reparação não deve limitar-se a gestos simbólicos ou compensações financeiras, nem recair sobre trabalhadores e classes populares, devem antes ser definida pelos povos historicamente afetados.

A marcha é o culminar de meses de mobilização, que incluíram a Futebolada Cabral, oficinas de construção de cartazes, a pintura de um mural com a Associação Juvenil Esperança da Quinta da Princesa, uma roda de conversa e sessões de capoeira e batuku. A 16ª edição da Konferénsia Panafrikanu di Lisboa, integrada no programa, teve também, pela primeira vez, uma aula magna do sociólogo Alexssandro Robalo, dedicada à educação em África.

O dia 12 de setembro termina com um momento político e cultural, que inclui a apresentação da III Declaração Panafricanista de Lisboa e atuações de batukadeiras e artistas convidados. A Konferénsia Panafrikanu di Lisboa existe desde 2018, criada na sequência de uma vigília contra a escravatura na Líbia, e define-se como um espaço de mobilização e intervenção política de inspiração panafricanista, anticolonial e abolicionista.

Risco e Riso
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