
O ministro da Saúde, Lúcio Miranda Fernandes, anunciou ontem, 09, que Cabo Verde pretende iniciar ainda este ano a formação médica especializada no país, uma iniciativa que visa reforçar a qualificação dos profissionais de saúde e melhorar a capacidade de resposta do sistema nacional.
O anúncio, feito à margem de um encontro com a reitora da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Astrigilda Silveira, segundo o governante, serviu para abordar projetos estruturantes no domínio da formação em saúde. De acordo com Lúcio Miranda Fernandes, depois da implementação da licenciatura em Medicina, iniciada em 2015, o país prepara-se agora para dar um novo passo com a criação de programas de especialização médica.
“Estamos focados na formação médica especializada, sobretudo nas especialidades básicas, como pediatria, medicina interna, cirurgia e anestesiologia. Queremos começar estas formações ainda este ano, possivelmente em novembro.”
O ministro explicou que o projeto resulta de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação, a Uni-CV, o Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN), a Ordem dos Médicos de Cabo Verde e o Ministério da Saúde de Portugal, onde os futuros especialistas realizarão os estágios.
Além da especialização médica, Lúcio Miranda Fernandes revelou que o Governo está a estudar a criação de cursos técnicos destinados à formação de profissionais para a manutenção de equipamentos médicos.
Segundo o governante, trata-se de uma área estratégica para garantir o funcionamento dos equipamentos de diagnóstico existentes no país. “Precisamos formar técnicos cabo-verdianos para responder às necessidades de manutenção dos equipamentos médicos e evitar que fiquem parados por pequenas avarias.”
Questionado sobre a inexistência de um equipamento de ressonância magnética no Hospital Universitário Agostinho Neto, o ministro reconheceu a importância desse exame, mas explicou que, neste momento, a prioridade do Governo passa pelo reforço dos meios de diagnóstico mais utilizados nas urgências.
Nesse sentido, anunciou que o HUAN vai receber um novo aparelho de Tomografia Axial Computorizada (TAC) de 128 cortes, para substituir o atual equipamento de 16 cortes. Segundo explicou, o novo equipamento permitirá aumentar significativamente a capacidade de diagnóstico e melhorar a resposta clínica do maior hospital do país. “O TAC é mais prioritário neste momento, porque responde às necessidades das urgências e de um maior número de exames. Temos de estabelecer prioridades e avançar por etapas.”
Por sua vez, a reitora da Uni-CV, Astrigilda Silveira, considerou que o reforço da cooperação com o Governo constitui uma oportunidade para consolidar o papel da universidade na formação de profissionais de saúde. A responsável recordou que a instituição criou recentemente o Departamento de Ciências da Saúde, estrutura que servirá de base para a futura Escola de Ciências da Saúde.
Para Astrigilda Silveira, a concretização deste projeto dependerá de uma estreita articulação com o Governo, permitindo desenvolver novos cursos, investigação científica e programas de formação especializada ajustados às necessidades do sistema nacional de saúde.
















































