
O Governo de Cabo Verde vai assumir as despesas dos funerais das vítimas do acidente ocorrido no sábado, na ilha do Fogo, bem como outros custos das famílias afetadas pela tragédia. O anúncio foi feito esta segunda-feira, 07, pelo ministro da Saúde e porta-voz do gabinete de crise, Lúcio Miranda, após uma reunião de pouco mais de uma hora para avaliar a situação.
Segundo o governante, o Estado vai também assumir, nos próximos dias, despesas relacionadas com as famílias das vítimas, incluindo os custos de deslocação de familiares de primeiro grau que necessitem de viajar da Praia para a ilha do Fogo.
“Temos de dar o maior apoio possível nos próximos dias”, afirmou Lúcio Miranda, explicando que o Governo está a trabalhar em articulação com a Câmara Municipal de São Filipe para identificar as necessidades de cada família e definir as medidas de apoio.
O Executivo vai ainda suportar as despesas de trasladação de uma das vítimas para a Cidade da Praia, onde deverá ser posteriormente sepultada. O acidente provocou, até ao momento, 25 mortes confirmadas, enquanto 14 pessoas permanecem internadas no Hospital Regional São Francisco de Assis, quatro das quais em estado grave.
Lúcio Miranda classifica o acidente como a tragédia com maior número de vítimas mortais registada num único dia em Cabo Verde, destacando que a maioria das vítimas é constituída por adolescentes. “O Fogo está de luto, Cabo Verde está de luto neste momento”, declarou o ministro, que agradeceu à Protecção Civil, às câmaras municipais e à população pelo envolvimento nas operações de resgate e socorro.
Perante a situação clínica dos sobreviventes, o Governo mobilizou para a ilha do Fogo uma equipa médica especializada, proveniente de São Vicente e Santiago, para reforçar os profissionais do Hospital Regional São Francisco de Assis.
A equipa integra neurocirurgiões, cirurgiões, reumatologistas, intensivistas, anestesistas e cardiologistas, além de enfermeiros com experiência em cuidados intensivos. O objetivo é reforçar a assistência aos feridos, melhorar a capacidade de diagnóstico e avaliar os casos que possam necessitar de evacuação médica para Santiago ou outros centros hospitalares com maior capacidade de resposta.
A ministra da Família deverá chegar ainda hoje à ilha do Fogo, acompanhada por psicólogos e assistentes sociais, para prestar apoio às famílias das vítimas e às pessoas afectadas pela tragédia. A equipa do Ministério da Família deverá também reunir-se com a Câmara Municipal de São Filipe, considerada pelo Governo uma parceira essencial no acompanhamento das famílias, por estar próxima das comunidades e conhecer as suas necessidades.
Na sequência do acidente, o Governo pretende reforçar os meios técnicos e humanos da Protecção Civil a nível nacional, com particular atenção para a ilha do Fogo e a Região Fogo/Brava. Lúcio Miranda revelou que o Executivo já vinha discutindo, há cerca de duas semanas, com os presidentes das câmaras municipais, a necessidade de aumentar a capacidade nacional de resposta em matéria de proteção civil.
Está prevista ainda a chegada de uma ambulância 4×4 antes do final do ano, veículo adaptado às características orográficas da ilha e destinado a reforçar a capacidade de transporte e assistência médica em zonas de difícil acesso. Além da assistência aos feridos e do apoio às famílias enlutadas, as autoridades deverão visitar o local do acidente e manter o acompanhamento direto das comunidades afetadas pela tragédia.

















































