
O número de mortos confirmados no acidente de autocarro ocorrido na estrada entre Chã das Caldeiras e Campanas, na ilha do Fogo, subiu para 25 pessoas, e sete das vítimas foram já foram sepultadas de madrugada, em São Lourenço, segundo dados divulgados pelas autoridades às 07h50 deste domingo.
Dos 25 óbitos registados até ao momento, 20 ocorreram no local do acidente e os restantes no Hospital Regional São Francisco de Assis, para onde chegaram, ainda no sábado, 19 crianças e adolescentes feridos, oito raparigas e 11 rapazes, com idades entre os seis e os 16 anos.
Segundo o diretor clínico da unidade, Dionísio Semedo, a maioria dos pacientes apresenta politraumatismos, com lesões predominantemente nos membros inferiores, e vários casos de traumatismo craniano.
O médico adiantou que quatro pacientes se encontram com traumatismo craniano grave e que pelo menos duas adolescentes permanecem em estado clínico de elevado risco, com possibilidade de o quadro evoluir para óbito.
Parte dos feridos já foram submetidos a exames de Tomografia Axial Computorizada, prosseguindo a equipa médica com avaliações para excluir outras complicações associadas aos traumatismos sofridos.
A decisão de sepultar sete vítimas ainda de madrugada, sem passagem pelas respetivas residências, partiu da delegada de Saúde, tendo em conta o estado dos corpos, alguns dos quais com partes separadas devido à violência do impacto. Os restantes funerais estão previstos para esta manhã, com indicação de que deverão terminar antes das 10h00.
Face à gravidade da situação e ao défice de médicos habitualmente enfrentado pelo hospital, Dionísio Semedo destacou uma mobilização extraordinária de profissionais de saúde. Juntaram-se às equipas médicos de folga vindos dos concelhos dos Mosteiros e de Santa Catarina do Fogo, profissionais de clínicas privadas e médicos que estavam de férias, entre os quais um cirurgião e um oftalmologista.
Uma equipa médica multidisciplinar, com cirurgiões, um neurocirurgião, um ortopedista e outros especialistas, chega hoje ao Fogo no primeiro voo, acompanhada pelo ministro da Saúde, para reforçar a capacidade de resposta do hospital. Ainda não há decisão sobre quantos doentes serão transferidos para o Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto, na Praia, nem sobre o horário da operação, que dependerá da evolução clínica dos pacientes.
Entre as vítimas mortais encontram-se adolescentes naturais da ilha de Santiago, que se encontravam de férias no Fogo. O Presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro da Saúde deverão deslocar-se hoje à ilha para acompanhar a situação no terreno e prestar solidariedade às famílias afetadas por uma tragédia que, segundo os últimos dados, poderá ainda agravar-se dado o estado crítico de duas pessoas que se encontram internadas.
Fonte/Fotografia: Inforpress

















































