Sexta-feira, 21 Agosto 2026

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FAO e China apoiam Cabo Verde no combate à praga dos mil-pés

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em parceria com a China, está a apoiar Cabo Verde no reforço do conhecimento e da capacidade de resposta à praga dos mil-pés (Bandeirenica caboverda), que afeta a produção agrícola no país há várias décadas.

A informação foi divulgada quarta-feira, 19, pela FAO, que realizou em Santo Antão uma formação dirigida a agricultores, técnicos agrícolas e extensionistas sobre a gestão integrada de pragas, no âmbito da cooperação Sul-Sul.

A formação, que terminou na quarta-feira, teve como objetivo reforçar os conhecimentos e as capacidades dos intervenientes do setor agrícola para enfrentar o problema dos mil-pés, uma praga identificada em Cabo Verde desde a década de 1970 e que apresenta maior incidência nas ilhas de Santo Antão, São Vicente e São Nicolau.

Ao longo dos anos, a praga tem provocado impactos em várias culturas de importância para a agricultura cabo-verdiana, nomeadamente milho, banana, feijão, batata-doce e batata comum.  Os efeitos da infestação vão além das perdas na produção agrícola, tendo também consequências na circulação de determinados produtos agrícolas entre as ilhas, devido às medidas de controlo e prevenção associadas à presença da praga.

No quadro da cooperação Sul-Sul entre Cabo Verde, a FAO e a China, o especialista chinês Deng Zhengrui, com experiência no controlo biológico de pragas e doenças do solo, tem vindo a desenvolver actividades de observação, investigação aplicada e intercâmbio técnico no país.

A iniciativa pretende contribuir para a identificação de soluções mais eficazes e sustentáveis de gestão da praga, através da partilha de conhecimentos e experiências técnicas. A situação assume particular importância em Santo Antão, onde vigora desde 1984 um embargo à circulação de produtos agrícolas devido à presença da praga dos mil-pés.

O embargo tem condicionado a circulação de produtos agrícolas da ilha para outras partes do país e constitui uma das principais preocupações dos agricultores santantonenses, que têm defendido soluções capazes de permitir o controlo da praga e a retoma da circulação agrícola.

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