
As ilhas de Santo Antão e São Nicolau dispõem, a partir de agora, de um guia de plantas aromáticas e medicinais e de uma brochura dedicada aos usos terapêuticos e aromáticos das espécies endémicas, no âmbito das actividades desenvolvidas pelo Projeto EcoRaízes para preservar e valorizar o conhecimento tradicional sobre a biodiversidade cabo-verdiana.
Segundo uma nota do projecto, as publicações resultam de um trabalho de investigação realizado junto de conhecedores locais, através de inquéritos efectuados a informantes privilegiados, pessoas com vasta experiência na recolha, secagem, preparação e utilização de plantas para fins terapêuticos.
A informação reunida permitiu identificar as principais espécies utilizadas nas duas ilhas, bem como documentar os seus usos tradicionais, contribuindo para a preservação de um património cultural transmitido de geração em geração.
No âmbito do mesmo projecto, foi recentemente instalado, em Santo Antão, um campo de plantas aromáticas e medicinais no Centro Agrícola de Afonso Martinho, localizado no concelho da Ribeira Grande. O espaço pretende servir de apoio à conservação, estudo e valorização destas espécies, promovendo igualmente a sua utilização sustentável.
A iniciativa contou com a parceria da Associação de Mulheres do Planalto Leste de Santo Antão e do Ministério da Agricultura, reforçando o envolvimento das comunidades locais na preservação dos recursos naturais e dos conhecimentos associados às plantas medicinais.
De acordo com o Projeto EcoRaízes, em Santo Antão o recurso às plantas medicinais continua a ser uma prática enraizada, sobretudo nas comunidades rurais, onde muitas famílias recorrem às espécies locais para o tratamento de diversas enfermidades.
Contudo, os responsáveis alertam que este saber tradicional tem vindo a perder expressão devido à crescente influência de hábitos urbanos e à progressiva desvalorização da cultura local, tornando urgente a adopção de medidas de salvaguarda e transmissão destes conhecimentos às novas gerações.
Promovido pela Associação para a Defesa do Património de Mértola, de Portugal, o Projeto EcoRaízes é cofinanciado pela União Europeia em Cabo Verde e pela Cooperação Portuguesa, através do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., e visa conciliar a conservação da biodiversidade com a valorização do património cultural e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.
















































