Quinta-feira, 28 Maio 2026

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Ébola: Cabo Verde atualiza plano de resposta e prevenção

Cabo Verde já tem uma equipa multissetorial nacional para coordenar e activar o plano de contingência destinado à prevenção da entrada do vírus do ébola no País ─ uma iniciativa do Governo ─ informou a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, ontem, 27, na cidade da Praia. 

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Em declarações à imprensa, Maria da Luz Lima explicou que, apesar de o risco de introdução da doença no arquipélago ser considerado baixo, as autoridades nacionais decidiram avançar com medidas preventivas imediatas para reforçar a vigilância sanitária e preparar a resposta do país perante qualquer eventual caso suspeito.

Segundo a responsável, a comissão criada integra representantes da Organização Mundial da Saúde, da UNICEF e da Agência Nacional de Aviação Civil (AAC), entidades que irão apoiar o país na implementação e actualização do plano nacional de contingência.

“Apesar de o risco de contágio no arquipélago ser considerado baixo, as autoridades avançam já com medidas preventivas imediatas, sendo uma delas a emissão urgente, entre hoje e quinta-feira, de um comunicado voltado para as delegacias de saúde e população”, afirmou Maria da Luz Lima.

De acordo com a presidente do INSP, as primeiras medidas vão centrar-se na comunicação de risco, sensibilização da população e actualização dos protocolos de atuação em caso de suspeita da doença. O plano prevê igualmente o reforço da vigilância sanitária em todos os portos e aeroportos do país, com especial atenção aos passageiros provenientes de zonas consideradas de risco.

“Com o reforço da vigilância em todos os portos e aeroportos do país, o centro de monitorização estará activo para detectar febre em viajantes de zonas de risco, com atenção redobrada às ligações aéreas devido às rotas existentes entre Cabo Verde e o resto do continente africano”, explicou.

As autoridades sanitárias pretendem ainda intensificar o acompanhamento de pessoas que tenham viajado para países afectados pelo vírus, com o objectivo de identificar rapidamente casos suspeitos, proceder ao isolamento dos pacientes e monitorizar as respectivas redes de contacto. Maria da Luz Lima, que coordena a equipa nacional criada para o efeito, indicou que o grupo reúne-se diariamente para acompanhar a evolução da situação epidemiológica internacional e definir estratégias de prevenção adequadas ao contexto cabo-verdiano.

Segundo a responsável, o sucesso da operação dependerá da capacidade de resposta das estruturas locais de saúde e do nível de informação disponibilizado à população. “O objetivo central é garantir que a população saiba exatamente como agir e que os profissionais de saúde estejam devidamente capacitados para implementar o isolamento e a vigilância médica, caso surja algum caso suspeito no país”, salientou.

A transmissão do vírus do ébola ocorre através do contacto directo com fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, vivos ou mortos, situação que, segundo a OMS, reduz significativamente o risco de transmissão em viagens aéreas comuns.

Entretanto, dados divulgados pelas autoridades internacionais indicam que já foram registados mais de 900 casos suspeitos da estirpe Bundibugyo do vírus Ébola na República Democrática do Congo, bem como 220 mortes potencialmente associadas à doença. Na segunda-feira, o director-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, informou que 101 casos e dez mortes já foram confirmados laboratorialmente como associados ao ébola.

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