
O papel das universidades e das instituições internacionais na valorização da crioulidade atlântica e na promoção do diálogo intercultural esteve esta quinta-feira, 28, em destaque no Encontro Internacional sobre a Crioulidade Atlântica, na cidade da Praia, onde intervenientes defenderam a necessidade de reforçar a investigação académica e a cooperação global em torno das experiências históricas do Atlântico.
A vice-reitora para a área académica da Universidade de Cabo Verde, Elga Mirta Carvalho, afirmou que o Atlântico deve ser entendido como um espaço histórico de encontros, conflitos e criação cultural, do qual emergiram identidades linguísticas, religiosas, políticas e sociais. Sublinhou que a crioulidade resulta desse processo contínuo de interação entre povos e culturas.
Segundo a académica, a crioulidade não representa uma realidade estática, mas sim um processo histórico dinâmico que envolve a construção permanente de novas formas de organização social e cultural. Nesse sentido, destacou o contributo de Cabo Verde como espaço de referência no estudo das dinâmicas atlânticas.
Elga Mirta Carvalho defendeu ainda que a reflexão sobre a crioulidade exige o reconhecimento das desigualdades e das memórias históricas associadas à formação do Atlântico, acrescentando que as universidades devem assumir um papel ativo na preservação da memória, na investigação crítica e na promoção do diálogo científico internacional.
No mesmo evento, o subsecretário-geral e alto representante da Aliança das Civilizações das Nações Unidas (UNAOC), Miguel Ángel, destacou Cabo Verde como um espaço de ligação entre continentes e culturas, sublinhando a importância do país na promoção da diversidade e da cooperação internacional.
O responsável das Nações Unidas afirmou que a crioulidade atlântica resulta de processos históricos complexos, marcados por encontros e desigualdades, dos quais emergiram novas formas de identidade e convivência. Defendeu que esta realidade deve ser valorizada como exemplo de inclusão e resiliência cultural.
Miguel Ángel reforçou que iniciativas como este encontro contribuem para os objetivos globais de desenvolvimento sustentável e para o reforço da paz. Por isso, apelou ao combate ao racismo e à discriminação e à construção de sociedades mais inclusivas, baseadas no diálogo e no respeito pela diversidade.











































