
A comunidade guineense residente na Praia pede maior proteção às autoridades policiais e à Embaixada da Guiné-Bissau em Cabo Verde, na sequência de sucessivos assaltos e disparos que, segundo os seus mesmos, têm sido perpetrados por um grupo de jovens na zona de Safende.
Os cidadãos guineenses concentraram-se esta manhã em frente à Embaixada da Guiné-Bissau, manifestando revolta e indignação perante os episódios de violência de que dizem estar a ser vítimas. Os manifestantes relataram que, para além da perda dos seus pertences durante os assaltos, têm enfrentado situações em que a própria vida fica em risco devido a disparos efetuados durante os ataques.
Em declarações à imprensa, a jovem guineense Nair Quimbunba contou que, durante o último fim de semana, voltou a registar-se uma ocorrência do género na zona de Safende, tendo um jovem sido assaltado e alvo de disparos. “Não é a primeira vez que isto acontece. A nossa comunidade tem sofrido ataques frequentes e a justiça não tem funcionado”, afirmou.
Segundo Nair Quimbunba, a manifestação pretende sensibilizar a embaixada para os problemas enfrentados pela comunidade e solicitar apoio para fazer chegar as denúncias às autoridades nacionais. A jovem denunciou igualmente situações de discriminação, insultos de caráter preconceituoso e ameaças que, segundo afirmou, condicionam a liberdade dos membros da comunidade de circularem e permanecerem nas ruas. “Somos pessoas e devemos receber tratamento igual, não somos animais”, afirmou, lamentando os episódios relatados.
Também presente na manifestação, Mamadu Baldé afirmou que a comunidade guineense não está a viver com tranquilidade devido aos sucessivos ataques. Em comparação, referiu que a comunidade cabo-verdiana residente na Guiné-Bissau é, segundo disse, bem tratada, por isso, defende que o mesmo deve acontecer em Cabo Verde. “Somos todos povos que lutaram para ter a liberdade, é triste presenciar esses ataques contra a nossa comunidade”, declarou.
O embaixador da Guiné-Bissau em Cabo Verde, Ibraima Sanó, disse compreender a revolta manifestada pela comunidade, mas considerou que o comportamento de alguns dos manifestantes também não terá sido o mais adequado. Segundo o diplomata, um grupo deslocou-se durante o fim de semana à sua residência para protestar e acabou por danificar o portão do edifício, situação que levou à chamada da Polícia Nacional para garantir a segurança do local.
Ibraima Sanó revelou, contudo, que recebeu esta manhã representantes da comunidade guineense e ouviu as suas preocupações relativamente aos casos de violência denunciados. “Acredito que são casos isolados, situações que infelizmente acontecem em todo o lado”, afirmou, defendendo que as ocorrências devem ser tratadas pelas autoridades policiais competentes. A Polícia Nacional também foi contactada para prestar esclarecimentos sobre os alegados assaltos e disparos contra membros da comunidade guineense, mas não foi possível obter uma reação até ao momento.

















































