
A coordenadora do Programa Nacional de Nutrição e Escolas Promotoras de Saúde do Ministério da Saúde, Irina Spencer, revelou hoje, 05, que mais de cinco mil recém-nascidos já beneficiaram do leite humano disponibilizado pelos Bancos de Leite em Cabo Verde, ao longo dos últimos 15 anos, período durante o qual foram ainda processados cerca de seis mil litros de leite materno.
Os dados foram apresentados durante o primeiro painel do I Seminário de Aleitamento Materno, intitulado “Atualizações e Políticas de Aleitamento Materno em Cabo Verde”, realizado na cidade da Praia, no âmbito das comemorações dos 15 anos do Banco de Leite Humano (BLH) e da Semana Mundial do Aleitamento Materno. Na sua intervenção, Irina Spencer considerou que os 15 anos do Banco de Leite Humano representam “muitos motivos para celebrar”, destacando como principal conquista a disponibilidade de leite materno para recém-nascidos prematuros e de baixo peso, os principais beneficiários do serviço.
Segundo explicou, o leite humano tem sido determinante para a sobrevivência e recuperação destes bebés e contribui para reduzir o tempo de internamento nas unidades de neonatologia, bem como melhorar a sua qualidade de vida. “Celebramos o fato de termos leite suficiente para os recém-nascidos, principalmente os prematuros e os que nascem com baixo peso. Muitos destes bebés conseguiram sobreviver não apenas pelos cuidados clínicos recebidos, mas também porque tiveram acesso ao leite humano desde o primeiro dia de vida”, afirmou.
A responsável aproveitou ainda para reconhecer o trabalho desenvolvido pelos profissionais de saúde envolvidos na promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, desde o acompanhamento pré-natal até ao pós-parto, bem como o contributo das mães doadoras, famílias e instituições parceiras. “Temos de agradecer às mães que doaram litros e mais litros de leite materno, mas também às famílias e instituições que nos apoiam diariamente, inclusive com a doação de frascos de vidro e tampas utilizadas no processamento do leite”, referiu.
Legislação reforça proteção da amamentação
Durante a apresentação, Irina Spencer fez um balanço das principais políticas implementadas em Cabo Verde para promover o aleitamento materno, destacando os avanços alcançados nos últimos anos. Entre as medidas, apontou o aumento da licença de maternidade para 90 dias, aprovado em 2023, a licença de paternidade de 10 dias e o alargamento da licença para amamentação para duas horas diárias, a fim de permitir às mães maior flexibilidade para conciliar o regresso ao trabalho com a amamentação.
Destacou igualmente a existência do regulamento de funcionamento do Banco de Leite Humano, publicado em 2016, do Código de Comercialização dos Substitutos do Leite Materno e da implementação da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, que continua a ser reforçada no país. Segundo a responsável, Cabo Verde tem igualmente incentivado instituições públicas e privadas a criarem espaços adequados para que as mães possam amamentar ou extrair e conservar o leite materno durante o horário laboral.
Mais de 40 mil mães apoiadas
No balanço dos 15 anos, Spencer indicou ainda que os serviços ligados ao Banco de Leite prestaram apoio individual e em grupo a mais de 40 mil mães, reforçando o acompanhamento durante a gravidez, parto e pós-parto. Apesar de considerar que o atual stock de leite materno é suficiente, apelou à continuidade das doações, lembrando que as necessidades variam diariamente.
“Nunca é demais. Não sabemos quanto leite cada bebé vai precisar. Apelamos às mães para continuarem a doar e também para procurarem o Banco de Leite sempre que tenham dificuldades na amamentação”, afirmou. A responsável recordou que, além da recolha de leite, o Banco de Leite Humano presta apoio especializado em situações como dificuldades na pega do bebé, fissuras mamárias e outras complicações relacionadas com a amamentação.
UNICEF destaca investimento de Cabo Verde
No mesmo painel, a representante da UNICEF em Cabo Verde, Ana Paula Freitas, apresentou a perspetiva da UNICEF e da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o balanço global da amamentação em 2025. A responsável defende que a amamentação continua a ser uma das soluções mais eficazes para garantir a sobrevivência, a saúde e o desenvolvimento das crianças e sublinha que investir nos primeiros mil dias de vida é determinante para o futuro.
Segundo referiu, Cabo Verde tem registado progressos assinaláveis, com cerca de 70% das crianças a iniciarem a amamentação na primeira hora de vida e aproximadamente 40% dos bebés menores de seis meses a beneficiarem de aleitamento materno exclusivo.
Ana Paula Freitas considerou ainda que o país dispõe de uma forte capacidade técnica nesta área, mas defende a necessidade de continuar a investir na capacitação dos profissionais, na mobilização das comunidades e na integração da nutrição nos planos nacionais de emergência.
A representante da UNICEF reafirmou igualmente o compromisso da organização em continuar a apoiar Cabo Verde na implementação de políticas e soluções que garantam a todas as crianças um crescimento saudável e um desenvolvimento pleno.

















































