
O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu hoje, 28, na abertura do Encontro Internacional sobre a Crioulidade Atlântica, na cidade da Praia, que a experiência crioula representa uma referência de diálogo, diversidade e convivência para um mundo marcado por guerras, extremismos e fragmentações. O Chefe de Estado deixou um apelo à valorização da memória histórica e cultural das sociedades atlânticas como instrumento de construção de um futuro mais humano e inclusivo.
Na cerimónia de abertura do encontro, que decorre até 30 de maio, o Chefe de Estado afirmou que a crioulidade deve ser entendida como uma capacidade humana de transformar adversidades históricas em novas formas de criação cultural, convivência e pertença coletiva. Segundo José Maria Neves, o evento representa “mais do que um encontro”, sendo também um reencontro entre povos, culturas e diásporas ligadas historicamente pelo Atlântico.
Ao longo da intervenção, o Presidente sublinhou que a valorização das sociedades crioulas constitui um ato de justiça histórica, sobretudo para comunidades e experiências culturais que durante séculos permaneceram afastadas das grandes narrativas da modernidade. Para o chefe de Estado, nenhuma civilização detém o monopólio da criação, inovação ou progresso humano, defende uma visão plural da história mundial.
José Maria Neves aproveitou ainda a ocasião para alertar para os desafios globais da atualidade, apontando as guerras, os extremismos, as crises climáticas, o enfraquecimento do multilateralismo e as desigualdades internacionais como fatores que aumentam a vulnerabilidade das sociedades contemporâneas. Neste contexto, considerou que as nações crioulas podem oferecer uma mensagem de tolerância, cooperação solidária e construção do bem comum.
O Presidente destacou igualmente o papel singular de Cabo Verde na história atlântica, devido à sua localização geográfica e ao cruzamento de influências humanas, culturais e civilizacionais que marcaram o arquipélago ao longo dos séculos. Defendeu, por isso, a preservação da memória histórica e cultural, salientando a importância da Cidade Velha enquanto espaço simbólico da formação da identidade cabo-verdiana e património mundial da humanidade.
Na sua comunicação, José Maria Neves valorizou também as línguas crioulas como um dos maiores testemunhos da criatividade cultural das sociedades atlânticas. Segundo afirmou, proteger e estudar estas línguas significa preservar formas únicas de memória, transmissão de conhecimento e expressão cultural que continuam presentes na identidade de milhões de pessoas espalhadas pelo espaço atlântico.
O Encontro Internacional sobre a Crioulidade Atlântica reúne investigadores, académicos, representantes culturais e membros das diásporas para debater temas ligados à memória, identidade, cultura e diversidade no espaço atlântico. O evento decorre até sábado, 29, na Cidade Velha.











































