Terça-feira, 14 Abril 2026

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Missão cultural marroquina em Cabo Verde para valorizar o património judaico

Uma missão cultural marroquina encontra-se em Cabo Verde com o objetivo de conhecer, preservar e divulgar o património judaico existente no arquipélago, com especial destaque para os cemitérios localizados nas ilhas de Santiago, de Santo Antão e da Boa Vista.

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Composta por cinco académicos da Universidade Hassan II, figuras de relevo do meio cultural marroquino, e ligadas ao direito marítimo, a delegação iniciou a sua visita nesta segunda-feira, 13 de abril, com uma ida ao cemitério da Várzea, na cidade da Praia, onde se encontram dez túmulos judaicos já restaurados, e considerados parte importante da memória histórica do país.

Ainda no dia de ontem, a missão seguiu viagem para a ilha de Santo Antão, onde existem dois cemitérios judaicos e a delegação será recebida pelo presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo Luz.  Estão igualmente previstos encontros com instituições académicas ─ Universidade de Cabo Verde e Universidade de Santiago ─, para partilha de conhecimento e promoção de investigação conjunta.

A iniciativa visa valorizar a herança judaica no País, aprofundando o conhecimento sobre a mesma, para promover o seu reconhecimento nacional e internacionalmente, explica Carol Castiel, responsável pelo projeto Cape Verde Jewish Heritage, o qual conta com financiamento do Rei Mohammed VI.

O monarca marroquino vem apoiando iniciativas de valorização do património judaico, incluindo a restauração de quatro cemitérios no arquipélago cabo-verdiano, contribuindo para a preservação desta herança histórica comum, já que a presença judaica em Cabo Verde remonta ao século XIX, quando judeus marroquinos, oriundos de cidades como Tânger e Rabat, bem como de Gibraltar, chegaram a Cabo Verde em busca de oportunidades económicas, numa altura em que o território se encontrava sob administração colonial portuguesa.

Apesar de terem se integrado na sociedade, formada na época maioritariamente por católicos, muitos desses judeus ─ sobretudo os da primeira e segunda gerações ─, mantiveram as suas práticas religiosas e culturais originais, incluindo a criação de cemitérios próprios, que, atualmente, constituem um relevante legado histórico e patrimonial.

SALWEB.cv AD

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