Quinta-feira, 23 Julho 2026

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Médicos formados em Cabo Verde: Só três em cada dez permanecem no país após a licenciatura

Apenas 30% dos médicos formados em Cabo Verde permanecem a exercer no país após concluírem a licenciatura, revelou a coordenadora do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), Antonieta Soares, que aponta a falta de articulação entre as entidades formadoras e o Ministério da Saúde como o principal obstáculo à retenção destes profissionais.

A formação médica em Cabo Verde continua a enfrentar um dos seus maiores desafios: a retenção dos profissionais no país. Dos médicos que concluem o curso de Medicina na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), apenas três em cada dez permanecem em território nacional, enquanto a maioria opta por emigrar, sobretudo para Portugal, em busca de melhores oportunidades de trabalho e especialização.

Em entrevista à Inforpress, a coordenadora do Mestrado Integrado em Medicina, Antonieta Soares, explicou que o curso recebe anualmente cerca de 25 novos estudantes e que, após desistências e outras situações, as turmas estabilizam entre 20 e 22 alunos. A taxa de conclusão situa-se entre os 85% e os 90%, refletindo, segundo a responsável, o sucesso da formação.

Apesar destes resultados, Antonieta Soares considera que o principal problema surge no momento da integração dos recém-licenciados no mercado de trabalho nacional. Segundo explicou, sendo o curso integralmente financiado pelo Estado cabo-verdiano, deveria existir uma maior capacidade da Administração Pública para absorver os novos médicos. Contudo, afirmou que o Ministério da Saúde enfrenta limitações financeiras e de planeamento dos recursos humanos, o que dificulta o recrutamento dos licenciados.

“O sistema falhou ao não cruzar o fluxo anual de entradas e saídas de estudantes com as vagas de emprego público disponíveis”, lamentou. A responsável indicou ainda que existem anos em que apenas dois estudantes de uma turma permanecem em Cabo Verde, enquanto os restantes seguem para Portugal, atraídos por melhores condições técnicas, financeiras e de progressão na carreira.

No entanto, destacou que a qualidade da formação ministrada no país tem sido amplamente reconhecida. O currículo é equiparado ao modelo europeu e os diplomados têm registado elevados níveis de sucesso nos processos de validação dos diplomas em Portugal, conseguindo ingressar em especialidades médicas logo após concluírem a licenciatura. Antonieta Soares sublinhou que a medicina cabo-verdiana forma profissionais com capacidade para competir internacionalmente e não apenas para responder às necessidades do mercado nacional.

Em relação à mobilidade internacional, explicou que o Brasil continua a ser um dos destinos mais acessíveis para os licenciados cabo-verdianos, devido ao reconhecimento automático dos diplomas e às facilidades burocráticas existentes. Actualmente, quatro estudantes frequentam especialidades médicas naquele país. A coordenadora adiantou ainda que a Uni-CV continua a reforçar protocolos com instituições internacionais, nomeadamente com a Universidade de Coimbra, além de promover programas de mobilidade com universidades das Canárias e do Brasil.

Ao mesmo tempo, o curso procura reforçar a sua dimensão internacional através do acolhimento de estudantes estrangeiros, sobretudo oriundos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com destaque para o Brasil. Ainda assim, Antonieta Soares defende um maior aproveitamento das vagas por estudantes de países como Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Angola.

Para a coordenadora, é essencial que o Ministério da Saúde reforce o diálogo com as instituições formadoras e desenvolva mecanismos que permitam fixar um maior número de médicos no país, evitando a contínua saída de profissionais qualificados para o exterior.

Fonte: Inforpress

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