
Os agricultores da ilha Brava começam a dar por perdido o ano agrícola devido à ausência de chuvas, enquanto os criadores de gado enfrentam escassez de pasto e aumento dos custos com a alimentação animal.
Nas principais zonas agrícolas da ilha, a falta de precipitação tem condicionado o desenvolvimento da agricultura e tem aumentado a preocupação dos produtores quanto à possibilidade de obter algum rendimento da produção deste ano.
Em declarações à Inforpress, o agricultor António Gomes classificou a situação como “muito preocupante”, explica que os trabalhos realizados no início da campanha agrícola não tiveram o resultado esperado devido à falta de chuva. “Preparamos as terras, colocamos as sementes e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, mas sem chuva não há como produzir. Neste momento, já estamos a considerar o ano agrícola praticamente perdido”, lamentou.
Segundo o agricultor, os produtores tiveram despesas com sementes, preparação dos terrenos e mão de obra, sem qualquer garantia de retorno. A agricultora Maria Mendes partilha da mesma preocupação e considera que a irregularidade das chuvas está a deixar os produtores “sem alternativas. A agricultura na Brava depende muito da chuva. Quando ela não aparece no momento certo, todo o trabalho fica comprometido. Este ano praticamente não vimos as nossas plantas nascerem e já não temos muita esperança de salvar a produção”, afirmou.
Maria Mendes alerta ainda que as consequências da fraca campanha agrícola poderão fazer-se sentir nos próximos meses, sobretudo entre as famílias que dependem da agricultura para complementar os rendimentos e garantir parte da alimentação. As dificuldades estendem-se também à pecuária, com os criadores de animais a enfrentarem uma redução significativa da disponibilidade de pasto.
O criador João Mendes, por sua vez, explica que a falta de chuva está a limitar as pastagens e a obrigar os produtores a recorrer à compra de ração e de outros alimentos para garantir a alimentação dos animais. “Este ano não teve chuva nem para pasto. Os animais precisam de comer todos os dias e, quando não há pasto, temos de comprar alimentação, o que representa mais despesas para o criador”, vincou.
O produtor teme que a persistência da situação agrave as dificuldades, sobretudo entre os pequenos criadores, que dispõem de menos recursos financeiros para suportar os custos adicionais com a alimentação animal. “Estamos preocupados porque não sabemos como serão os próximos meses. Se não chover, teremos ainda mais dificuldades para alimentar os animais e manter a criação”, acrescentou.
Perante este cenário, agricultores e criadores apelam às autoridades para que acompanhem de perto a situação e reforcem as medidas de apoio às famílias afetadas, nomeadamente nos setores da agricultura, disponibilizar água e alimentação animal.

















































