
Cabo Verde deve continuar a incentivar os agricultores a reduzirem o uso de pesticidas e reforçar as análises a alimentos, tanto nacionais como importados, para garantir a segurança alimentar da população. A recomendação foi deixada esta quinta-feira, 09, pelo toxicologista espanhol Ángel José Gutiérrez, catedrático de Toxicologia na Universidade de La Laguna, nas Canárias.
O especialista deixou esse alerta à margem do encerramento de uma formação sobre avaliação de riscos toxicológicos e contaminantes, que decorreu na sede do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), na cidade da Praia. Sobre a presença de contaminantes nos alimentos, Gutiérrez considerou-a inevitável, mas considera que o essencial é garantir um sistema de monitorização e gestão de riscos eficaz, o que passa também por uma maior aposta na economia circular e no consumo de produtos locais, capazes de reduzir a pegada de carbono e fortalecer a produção nacional.
Reconheceu, no entanto, que arquipélagos como Cabo Verde, Canárias, Açores e Madeira continuam fortemente dependentes da importação de alimentos, o que torna indispensável assegurar que estes produtos chegam ao país em boas condições e com níveis de contaminantes dentro dos limites seguros. Segundo o toxicologista, o país já dispõe de entidades preparadas para gerir este tipo de risco, mas ações de formação como esta ajudam a consolidar conhecimentos e a aperfeiçoar os mecanismos de controlo existentes.
Comparando com a realidade europeia, Gutiérrez explicou que os critérios mais restritivos aplicados na Europa resultam de décadas de experiência acumulada na gestão de risco, e considerou que Cabo Verde está a seguir o caminho certo para proteger a sua população. O toxicologista destacou ainda a cooperação através do Projeto ALSEMAC como um contributo importante para o reforço das capacidades técnicas dos países da Macaronésia e defendeu que a partilha de conhecimento entre estes parceiros beneficia todos os envolvidos.
Do lado dos participantes na formação, o técnico superior Ailton Ribeiro, responsável pelo Departamento de Microbiologia Clínica do laboratório de controlo de qualidade da água e dos alimentos, considerou que a ação trouxe conhecimentos fundamentais, com destaque para os procedimentos de amostragem, preparação, acondicionamento e transporte de amostras laboratoriais, aspetos que, segundo Ribeiro, vão contribuir para reforçar a qualidade dos processos de controlo alimentar no país.
Fonte: Inforpress
















































