Sexta-feira, 31 Julho 2026

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Dia Nacional do Batuque: historiador pede melhores condições para artistas

As batucadeiras e os fazedores do batuque ainda carecem de maior reconhecimento, com a atribuição de cachês justos e a integração no sistema de proteção social, defendeu hoje, 31, na cidade da Praia, o historiador cabo-verdiano José Soares, por ocasião das celebrações do Dia Nacional do Batuque.

A efeméride, instituída por unanimidade pela Assembleia Nacional em 2021, homenageia um dos mais antigos géneros musicais de Cabo Verde e destaca o papel das mulheres na preservação desta manifestação cultural. Em declarações à imprensa,  José Soares considerou que a criação do Dia Nacional do Batuque teve um “impacto brutal”, por representar a concretização de uma antiga aspiração das batucadeiras e dos defensores desta expressão cultural.

Segundo o historiador e ex-deputado da nação, a aprovação unânime da iniciativa no parlamento constituiu um momento marcante para a valorização do batuque, que já goza de reconhecimento dentro e fora do país, mas continua a enfrentar desafios. “Falta muito ainda para fazer para o batuque”, afirmou, defendendo que os grupos devem integrar os grandes festivais nacionais com uma remuneração compatível com a sua importância cultural e o número de artistas envolvidos.

José Soares criticou a prática de atribuir apenas gratificações aos grupos de batuque, pois advoga que estes devem receber cachês equivalentes aos pagos a outros grupos musicais. “Os nossos promotores culturais ou instituições têm que saber cada vez mais a história do batuque, para valorizarem o batuque e, quando convidarem para alguns eventos, atribuírem o cachê e não uma gratificação”, sustentou.

O historiador defendeu ainda a formalização dos fazedores do batuque através da inscrição no Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), para permitir-lhes beneficiar de proteção social e de uma reforma após anos dedicados à cultura cabo-verdiana. Na sua perspetiva, o batuque deve ser encarado como um importante produto cultural e turístico, por representar “a alma do povo cabo-verdiano” e a morabeza que caracteriza o país.

Relativamente ao envolvimento das novas gerações, José Soares considera que o interesse dos jovens pelo batuque tem aumentado significativamente. Como exemplo, recordou o grupo juvenil Pó di Terra, do Tarrafal, que, no ano 2000, contribuiu para levar esta manifestação dos terreiros para os palcos.

O historiador salientou ainda que existem atualmente jovens cabo-verdianos residentes na Europa que integram grupos de batuque e participam em festivais, demonstrando que esta expressão cultural conquistou um novo reconhecimento. “Hoje, os jovens não têm complexo de que batuque é igual à morna, igual à coladeira, igual ao funaná. É a tradição da nossa terra”, concluiu.

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