Terça-feira, 21 Julho 2026

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Chefe de Estado quer CEDEAO mais próxima da Aliança do Sahel

O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu hoje uma maior aproximação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) aos países da Aliança dos Estados do Sahel (AES), considerando que o diálogo e a diplomacia são fundamentais para ultrapassar as crises políticas e reforçar a integração regional.

Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV), no regresso da 67.ª Cimeira da CEDEAO, realizada em Freetown, na Serra Leoa, o chefe de Estado afirmou que o actual contexto internacional, marcado pela crescente polarização e fragmentação, exige uma aposta firme na diplomacia como instrumento de resolução de conflitos.

“Nestes tempos de muita polarização e uma certa fragmentação, o diálogo é importante. Temos de dar oportunidade à diplomacia para a resolução dos conflitos, para melhorarmos as relações entre os Estados e criarmos melhores condições para a consolidação da nossa comunidade”, afirmou.

Segundo José Maria Neves, este princípio deve orientar a estratégia da CEDEAO em relação aos países que abandonaram a organização, defendendo um esforço de reaproximação com os membros da Aliança dos Estados do Sahel — Mali, Burkina Faso e Níger —, bem como o reforço dos contactos com a Mauritânia.

“Devemos fazer um esforço para a reaproximação aos Estados da Aliança do Sahel, trazer a Mauritânia e criar canais de diálogo com todos os países, sobretudo onde haja instabilidade política ou ameaça à segurança e à estabilidade”, sustentou.

O Presidente da República explicou que esta visão foi partilhada por vários chefes de Estado durante os trabalhos da cimeira, que defenderam uma abordagem mais centrada no diálogo e na mediação política do que na aplicação de sanções.

A propósito, destacou a intervenção do Presidente da Guiné-Conacri, que, segundo referiu, defendeu que as medidas punitivas, por si só, não são suficientes para resolver as crises políticas e de segurança que afectam a sub-região.

José Maria Neves abordou ainda a situação política na Guiné-Bissau, indicando que a cimeira reafirmou as posições assumidas na reunião anterior da organização regional. Segundo explicou, os líderes da CEDEAO reiteraram a necessidade de intensificar o diálogo entre as forças políticas guineenses, promover um processo inclusivo e criar condições para o regresso à ordem democrática.

O chefe de Estado acrescentou que os participantes apelaram também à libertação incondicional de todos os presos políticos e defenderam uma maior concertação entre os diversos actores políticos da Guiné-Bissau, com vista à criação de plataformas de entendimento capazes de restaurar a estabilidade institucional e democrática no país.

Para José Maria Neves, a consolidação da paz, da estabilidade e da democracia na África Ocidental depende da capacidade dos Estados da região privilegiarem o diálogo, reforçarem a cooperação política e encontrarem soluções comuns para os desafios de segurança, governação e desenvolvimento que afectam a comunidade regional.

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