Segunda-feira, 07 Setembro 2026

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Agricultores de Santo Antão temem futuro sem mão de obra

Os vales agrícolas do Porto Novo, em Santo Antão, enfrentam um problema que ameaça o seu principal sustento, já não há mão de obra suficiente para trabalhar a terra. A falta de mão de obra, agravada pela saída constante de jovens para outras ilhas e para o estrangeiro, levou agricultores de várias localidades do município a pedir ao Governo medidas urgentes que travem esse êxodo. 

Na Ribeira dos Bodes, o porta-voz dos agricultores, Henrique da Luz, destaca que, a falta de trabalhadores disponíveis para a faina agrícola, coloca em causa o futuro da atividade na zona. Preocupação semelhante chega da Ribeira das Patas, onde o representante da associação para o desenvolvimento integrado da localidade aponta a emigração e a saída de jovens para outras ilhas como principais responsáveis pelo défice de mão de obra, que já se faz sentir não só na agricultura, mas noutros setores da economia local.

O cenário repete-se em Alto Mira, onde o produtor Ederlino Fortes identifica a escassez de trabalhadores como o maior desafio que hoje se coloca aos agricultores da região. Já na Ribeira da Cruz, além da emigração, há um fator adicional a esvaziar o vale de jovens, o serviço militar obrigatório, que segundo a associação local de agricultores tem contribuído para reduzir ainda mais a força de trabalho disponível.

Foi precisamente essa preocupação que o líder dos agricultores da Ribeira da Cruz, Vanderley Rocha, levou ao Presidente da República numa recente visita à zona. Pediu ao Chefe de Estado que interceda junto do Governo na procura de soluções para o problema.

O alerta não se limita a Porto Novo, a Aliança dos Produtores Agrícolas de Santo Antão tem vindo a sublinhar que a escassez de trabalhadores é um risco transversal a vários vales agrícolas da ilha, capaz de comprometer a atividade a médio prazo se nada for feito.

Entre as soluções avançadas pelos próprios agricultores está a atribuição de parcelas de terra a jovens para cultivo, à semelhança do que já acontece em Casa de Meio e em Chã de Mato/Ponte Sul, onde dezenas de jovens cultivam terrenos cedidos pelo Estado. Para o produtor Jailson Monteiro, essa pode ser uma via eficaz para fixar os jovens nas suas localidades, desde que acompanhada de outra condição que considera essencial, a mobilização de água para os campos.

Fonte: Inforpress

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