Sexta-feira, 11 Setembro 2026

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PR faz balanço “fortemente positivo” do mandato

O Presidente da República, José Maria Neves, faz balanço “fortemente positivo” do seu mandato, que classificou na quinta-feira, 10, como uma etapa de “grande superação institucional”, marcada pelo reforço da proximidade aos cidadãos, pela estabilidade democrática e por uma maior projeção internacional de Cabo Verde.

“No final deste mandato queria manifestar a minha grande satisfação, porque foi na verdade um excelente mandato, um mandato audaz, auspicioso e cintilante”, declarou José Maria Neves, numa conferência de imprensa destinada a apresentar o balanço do ciclo presidencial e a abordar os principais ganhos e desafios do país.

Na sua intervenção, o Chefe de Estado destacou os desafios inerentes ao exercício da Presidência de um “Estado transnacional”, caracterizado pela dispersão da população cabo-verdiana por várias ilhas e por uma extensa diáspora espalhada pelo mundo.

Segundo José Maria Neves, o seu mandato decorreu num período particularmente exigente, marcado por conflitos armados, alterações climáticas, crises económicas e restrições à mobilidade, factores que colocaram novos desafios à governação e à capacidade de resposta das instituições. Apesar deste contexto, considera que Cabo Verde conseguiu preservar a estabilidade política e institucional, graças, em grande medida, à capacidade de diálogo entre as diferentes forças políticas, o Estado e os municípios.

Para o Presidente da República, a construção de consensos e a promoção da coesão nacional constituíram uma das marcas da sua atuação, assumindo-se como “ouvidor-geral da República” e procurando manter uma relação próxima com diferentes setores da sociedade.

Neste âmbito, destacou iniciativas como a “Presidência na ilha” e a “Presidência na diáspora”, através das quais procurou aproximar a Presidência da República das populações residentes nas diferentes ilhas e das comunidades cabo-verdianas no estrangeiro. “É importante que o Presidente seja o traço de união entre todos os cabo-verdianos, independentemente do país onde estejam, da sua condição social ou da sua sensibilidade política”, afirmou.

José Maria Neves salientou igualmente a presença da Presidência em momentos particularmente dolorosos para o país, apontando, entre outros, os acidentes ocorridos na Serra Malagueta e na ilha do Fogo, bem como o diálogo desenvolvido com os jovens da chamada Geração Z durante as Semanas da República.

No domínio internacional, o Chefe de Estado considerou que o mandato permitiu reforçar a visibilidade e o reconhecimento de Cabo Verde junto de organizações multilaterais e no debate internacional sobre questões estratégicas para o arquipélago.

Entre os principais resultados, apontou as designações de Cabo Verde como “champion” da União Africana para a Preservação do Património Natural e Cultural de África, de patrono da Aliança da Década do Oceano pela UNESCO e de patrono da História Geral da África.

“São designações extraordinariamente importantes para projectarmos a imagem externa de Cabo Verde”, afirmou, considerando que estas responsabilidades representam também uma oportunidade para o país participar de forma mais activa em debates internacionais relacionados com o património, os oceanos e a história africana.

A agenda ambiental foi igualmente apontada como uma das áreas de destaque do mandato. José Maria Neves referiu a realização de cinco conferências internacionais dedicadas à economia azul e à preservação dos mares, considerando que estas iniciativas contribuíram para posicionar Cabo Verde no debate sobre a sustentabilidade dos oceanos.

O Presidente destacou ainda a recepção de vários Chefes de Estado e de outras personalidades internacionais, bem como a visita histórica do Director-Geral da UNESCO a Cabo Verde, 23 anos depois da última visita de um responsável máximo daquela organização ao país.

Reafirmou a sua visão sobre o papel do Presidente da República enquanto figura agregadora da sociedade e defensor da unidade e da integridade territorial do país. “O Presidente deve ser, sobretudo, um pacificador”, sustentou, defendendo que o Chefe de Estado deve colocar-se acima das hostilidades políticas e sociais e procurar construir consensos em torno das questões consideradas essenciais para o desenvolvimento de Cabo Verde.

Na perspetiva do Presidente, a experiência acumulada durante este mandato permitiu-lhe conhecer melhor a realidade do país, das suas ilhas e da diáspora, bem como aprofundar a compreensão dos desafios que Cabo Verde enfrenta.

Ao concluir a sua intervenção, José Maria Neves manifestou confiança na capacidade do país para enfrentar os desafios futuros e afirmou sentir-se atualmente mais preparado para continuar a contribuir para o desenvolvimento nacional. “Hoje sinto-me muito mais preparado, muito mais confiante no exercício da Presidência da República e com melhores condições para contribuir para um país grande, um país com ambição e capaz de se transformar”, frisou.

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