Quarta-feira, 08 Julho 2026

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INSP aposta em líderes comunitários para vigilância em saúde

Uma rede composta por 60 líderes comunitários vai passar a utilizar telemóveis para monitorizar e antecipar surtos e outras crises de saúde pública na ilha de Santiago, no âmbito do projeto-piloto “Guardiões da Saúde”, coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP). 

O anúncio foi feito esta terça-feira, 07, pela presidente do INSP, Maria da Luz Lima, que apresentou os resultados da iniciativa na cidade da Praia. Segundo a responsável, o projeto revelou uma eficácia sem precedentes na deteção precoce de riscos para a saúde humana, animal e ambiental, permitindo uma resposta mais rápida das autoridades sanitárias.

O estudo comparativo decorreu durante dois anos entre a ilha de Santiago e o Distrito Federal de Brasília, no Brasil, com financiamento e apoio técnico da London School of Hygiene & Tropical Medicine, através da sua equipa de resposta rápida a emergências de saúde.

De acordo com Maria da Luz Lima, o novo modelo representa uma mudança significativa na vigilância epidemiológica, pois substitui o sistema tradicional, que depende da chegada dos doentes às unidades de saúde, por um mecanismo de alerta precoce baseado na comunidade.

“Os líderes comunitários identificam situações de risco no terreno através de uma aplicação instalada nos telemóveis. Os alertas são depois recebidos por pontos focais dos serviços de saúde, incluindo médicos e veterinários, que validam a informação e desencadeiam as ações necessárias”, explicou.

A escolha da ilha de Santiago para a fase experimental deveu-se à sua diversidade geográfica e demográfica, que reune zonas urbanas e rurais distribuídas pelos seus nove concelhos, o que permitiu testar o sistema em diferentes realidades. Os resultados do projeto foram amplamente positivos. Segundo o INSP, todos os gestores de saúde envolvidos na avaliação consideraram a iniciativa inovadora e defenderam a sua implementação em todo o arquipélago.

O sistema foi igualmente testado com sucesso em São Vicente durante uma tempestade recente, demonstrando capacidade para funcionar também em contextos de emergência. Perante os resultados alcançados, o Instituto Nacional de Saúde Pública pretende alargar o projeto a nível nacional ainda durante este ano.

Maria da Luz Lima destacou que a expansão do sistema não implicará custos adicionais significativos para o Estado, uma vez que aproveita as estruturas existentes e permitirá ganhos importantes na rapidez de resposta às ameaças de saúde pública.

Iniciado em 2023, o projeto de investigação aplicada despertou o interesse de várias organizações internacionais, entre elas a Organização Leste Africana da Saúde, bem como de outros países africanos de língua portuguesa, que pretendem conhecer e replicar o modelo cabo-verdiano.

Apesar do sucesso alcançado, o INSP reconhece que existem desafios a ultrapassar antes da implementação nacional, nomeadamente o reforço da cobertura e da qualidade da Internet nas comunidades e a redução do tempo de resposta dos serviços de saúde após a recepção dos alertas enviados pelos líderes comunitários.

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