Domingo, 10 Maio 2026

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BCV prevê crescimento económico de 4,5% em 2026

O governador do Banco de Cabo Verde, Óscar Santos, afirmou hoje que a economia cabo-verdiana continua a apresentar um desempenho “muito positivo”, apesar do actual contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e incertezas económicas, prevendo um crescimento de 4,5% em 2026.

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As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa promovida pelo Fundo Monetário Internacional para apresentar o balanço da missão realizada em Cabo Verde.

Segundo o governador, a economia nacional registou um crescimento de cerca de 6,3% em 2025, enquanto a inflação se manteve controlada, situando-se em torno de 2,1%. “As contas externas evoluíram positivamente, coincidindo com a conta corrente a situar-se perto de três por cento do PIB”, afirmou Óscar Santos, acrescentando que as reservas externas atingiram um nível histórico equivalente a nove meses de importações em 2024.

No sector bancário, o responsável destacou o crescimento de 4,8% do crédito à economia, sublinhando igualmente a solidez do sistema financeiro nacional. A taxa de incumprimento bancário (NPL), indicador que mede a qualidade dos activos da banca, fixou-se em 5,1%, “o valor mais baixo dos últimos dois anos”, enquanto o rácio de solvabilidade atingiu 25%, acima do mínimo regulamentar de 14%.

Apesar dos indicadores positivos, o governador alertou para os riscos externos que podem afectar a economia cabo-verdiana, sobretudo devido ao agravamento das tensões no Médio Oriente e ao aumento dos preços internacionais do petróleo.

“Para uma economia como a de Cabo Verde, dependente de importações, a transmissão é praticamente directa”, afirmou, referindo-se aos impactos nos preços da energia, transportes e bens alimentares.

Neste cenário de “muita incerteza, instabilidade e volatilidade”, o Banco de Cabo Verde prevê que a inflação atinja 2,7% no final de 2026, impulsionada principalmente pela subida dos preços da energia e dos produtos alimentares. As reservas externas deverão, no entanto, manter-se em níveis considerados confortáveis, cobrindo cerca de 8,4 meses de importações em 2026.

Face ao actual contexto internacional, o Banco de Cabo Verde decidiu manter inalteradas as taxas de juro de referência na reunião do Comité de Política Monetária realizada a 5 de Maio. “O Banco de Cabo Verde mantém-se atento e vigilante em defesa do regime cambial”, assegurou o governador.

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