
O presidente da Câmara Municipal da Praia em exercício, Fernando Pinto, defendeu hoje, Dia do Município da Praia, que deve haver mais “ousadia” no reforço das parcerias institucionais e maior participação cívica nas respostas aos desafios sociais e urbanos que a capital cabo-verdiana enfrenta hoje. A posição foi manifestada durante a sessão solene comemorativa dos 50 anos do Dia do Município da Praia, realizada esta terça-feira, 19, sob a presidência do Presidente da República, José Maria Neves.
Na sua intervenção, Fernando Pinto afirmou que a Praia se tornou uma cidade “atrativa, cheia de oportunidades”, mas alertou que o forte crescimento populacional e a elevada concentração de instituições e serviços têm aumentado a pressão sobre o município.
Segundo o autarca, a capital acolhe atualmente entre 150 e 180 mil habitantes, representando cerca de 30 por cento da população nacional e mais de metade da população da ilha de Santiago. “O desafio é enorme”, afirmou Pinto, elencando a seguir as dificuldades ligadas à habitação, ao saneamento, à mobilidade, ao ambiente e à segurança urbana e pobreza.
Fernando Pinto salientou que a Praia enfrenta também o impacto das migrações internas e externas, situação que, segundo o autarca, exige “inovações e ousadias nas respostas”, bem como maior racionalização e aplicação dos recursos disponíveis.
Durante o seu discurso, o presidente da Câmara Municipal da Praia em exercício defendeu ainda uma “economia com alma”, inspirada nos escritos do Papa Francisco, sustentando que o crescimento económico deve traduzir-se em redistribuição equitativa da riqueza e desenvolvimento humano.
O autarca destacou igualmente a diversidade cultural da capital, afirmando que a presença de habitantes provenientes de outras ilhas e países constitui “um dos maiores ativos” da cidade. “Nossa missão é tornar a cidade cada vez mais inclusiva, mais amparadora e que dinamiza a multiculturalidade”, declarou Fernando Pinto.
Entre as prioridades da autarquia, Pinto apontou melhorias no planeamento urbano, investimentos no turismo e juventude, além da continuidade das políticas de saneamento e educação ambiental, com destaque para o programa “Meu Lixo, Minha Responsabilidade”.
Para este dirigente municipal, o principal desafio da cidade passa pela mudança de mentalidades e pelo aumento da participação dos cidadãos na preservação dos espaços públicos. “Conseguindo trabalhar a mentalidade e a evolução do nível de participação dos cidadãos, penso que as coisas se tornam muito mais fáceis”, defendeu.
Fernando Pinto garantiu, entretanto, que a equipa camarária está “engajada, focada e habituada a desafios”, e assegurou a continuidade do projecto “Praia para Todos”, com medidas voltadas para o aumento da produtividade, a redução da burocracia e a melhoria da eficácia dos serviços municipais.
“Os problemas da Praia não têm cor política, têm urgência social” – Ismael Teixeira (MPD)
Na mesma cerimónia, o representante da bancada municipal do MpD, Ismael Teixeira, afirmou que a Praia “merece mais organização urbana, mais visão estratégica, mais diálogo institucional e mais investimentos estruturantes”.
Segundo Teixeira, apesar do crescimento da cidade nas últimas décadas, persistem desigualdades sociais e bairros ainda carenciados de melhores condições básicas. “Praia cresceu muito, mas nem sempre cresceu com equilíbrio, planeamento e justiça social”, declarou, defendendo uma nova cultura política baseada na concertação entre o poder local e central.
“A nossa capital não poderá continuar a pagar facturas que não deve” – Aquiles Barbosa (PAICV)
Por sua vez, o líder da bancada municipal do PAICV, Aquiles Barbosa, considerou que a capital cabo-verdiana continua confrontada com desafios estruturais que exigem maior atenção do Estado.
Aquiles Barbosa apontou como prioridades a segurança, a habitação, a pobreza, o saneamento básico, a gestão de resíduos sólidos e a criação de oportunidades para a juventude.
O eleito municipal destacou ainda os investimentos realizados pela Câmara Municipal da Praia em asfaltagens, infra-estruturas desportivas, praças e programas sociais, defendendo que a autarquia tem procurado afirmar uma capital “moderna, inclusiva e geradora de valor”.












































