
O presidente do Movimento para a Democracia (MPD), Ulisses Correia e Silva, reconheceu ontem à noite a derrota nas eleições legislativas de 17 de maio e apelou à serenidade, prometendo uma análise profunda dos resultados antes de tirar conclusões sobre o futuro do partido.
Em declarações prestadas após o apuramento parcial dos resultados, o líder do MPD reconheceu que os resultados ficaram aquém das expectativas, apontando o desempenho nas ilhas de São Vicente e do Sal como um dos fatores que terá criado um desequilíbrio inesperado. “São Vicente e Sal acabaram por criar um desequilíbrio que não estava à espera”, afirmou, ressalvando que o momento de análise detalhada ainda está por vir.
“Entrámos para Vencer”
Com recurso a uma metáfora futebolística, Ulisses Correia e Silva sublinhou que o MPD foi para as eleições sem qualquer intenção de se conformar com menos do que a vitória. “Como você está num campeonato de futebol, não vai dizer que vai entrar para tentar. Não, eu entro para vencer. Para vencer e para vencer e para vencer”, declarou. “É claro que depois do apito do árbitro, os resultados são o apurado”, acrescentou, reconhecendo que os objetivos fixados pelo partido não foram desta vez alcançados.
Desgaste de Dez Anos no Poder
Questionado sobre se determinados dossiês, nomeadamente o do setor dos transportes, poderão ter pesado negativamente na votação, o presidente do MPD relativizou. “Só dez anos de governação eu já percebi desgaste”, afirmou, sugerindo que o natural cansaço do eleitorado em relação a um partido no poder durante uma década é, por si só, um fator incontornável. Ainda assim, admitiu que há vários elementos a ponderar, recusando antecipar conclusões antes de uma avaliação “tranquila e ponderada”.
Democracia Respeitada, Sem Dramas
Ulisses Correia e Silva foi claro ao afirmar que os resultados das urnas serão inteiramente respeitados, rejeitando qualquer sentimento de mágoa em relação ao eleitorado. “O povo escolhe, a gente respeita e a vida continua. Não há drama relativamente a questões eleitorais. Assim como um entra, outro sai”, disse, evocando o historial de alternâncias políticas pacíficas em Cabo Verde.
O líder do MPD deixou ainda um apelo à coesão nacional, defendendo que o país “precisa de paz, de tranquilidade e de coesão social”, e alertando para os perigos do fanatismo partidário e da intolerância política, que, segundo ele, “não conduzem à boa convivência”.
Cenário Parlamentar Ainda em Aberto
Com o apuramento ainda incompleto no momento das declarações — faltando fechar o círculo das Américas —, Ulisses Correia e Silva admitiu dois cenários possíveis para a composição da próxima Assembleia Nacional: uma maioria relativa ou uma maioria absoluta do partido vencedor, o PAICV, com vantagem em mandatos. “Em qualquer das circunstâncias, o PAICV é o partido mais votado, é o partido com o maior número de mandatos”, reconheceu, não descartando, porém, que os cenários de coligação permaneçam em aberto enquanto os dados finais não forem confirmados.
O MPD prometeu fazer “as devidas reflexões” sobre a organização interna do partido e a sua relação com a sociedade cabo-verdiana, tendo em vista o reforço da democracia e uma maior participação cívica “cada vez mais livre e menos condicionada”.












































