
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) venceu as eleições legislativas deste domingo, 17 de maio, conquistando a maioria absoluta no Parlamento e garantindo condições para governar sem necessidade de coligações.
Na primeira declaração após a confirmação dos resultados, o presidente do partido e primeiro-ministro eleito, Francisco Carvalho, afirmou que a vitória representa “a devolução da palavra ao povo” e assegurou que o PAICV vai cumprir as promessas apresentadas durante a campanha eleitoral.
“Essa maioria absoluta mostra uma mensagem clara dos cabo-verdianos, de que já era hora de mudar a gestão de Cabo Verde e a perspetiva do futuro do país”, declarou o líder do PAICV perante apoiantes e a comunicação social.
Segundo os dados divulgados durante a noite eleitoral, o PAICV alcançou 37 assentos parlamentares, garantindo maioria absoluta na Assembleia Nacional, num dos escrutínios mais disputados dos últimos anos. Ademais, Francisco Carvalho considerou que o resultado eleitoral abre caminho para a implementação do projeto político “Cabo Verde para Todos”, defendido pelo partido ao longo da campanha.
Durante a intervenção, Francisco Carvalho denunciou alegadas práticas de compra de votos através da distribuição de cestas básicas e outros mecanismos de condicionamento eleitoral, acusações dirigidas ao MpD e ao Governo cessante.
O presidente do PAICV criticou igualmente a atuação da Comissão Nacional de Eleições (CNE) e da Procuradoria-Geral da República, alegando falta de intervenção perante as denúncias feitas durante o período eleitoral.
Carvalho acusou ainda a Caixa Económica de Cabo Verde de alegada participação no processo, por ter aberto agências bancárias no sábado anterior às eleições, situação que, segundo afirmou, teria facilitado operações de compra de votos.
O líder vencedor das legislativas dirigiu também críticas ao Instituto Nacional de Estatística (INE), acusando a instituição de apresentar dados que, no seu entendimento, não refletem a realidade económica e social do país.
No plano político, Francisco Carvalho voltou a defender a revisão da Constituição da República, afirmando que pretende promover um diálogo “franco e aberto” para o reforço do funcionamento da democracia cabo-verdiana.
O primeiro-ministro eleito reiterou ainda promessas relacionadas com saúde e ensino gratuitos, melhoria dos transportes públicos e governação participativa. “Vamos governar em diálogo e em democracia”, afirmou.
Entre os dirigentes do partido que reagiram à vitória esteve Janira Hopffer Almada, que classificou o resultado como “a vitória da justiça e da verdade”, considerando Francisco Carvalho “um grande líder” capaz de unir “uma boa cabeça e um bom coração”.












































