
Diversas alegadas sondagens sobre as eleições legislativas de 2026 em Cabo Verde têm circulado nas redes sociais sem qualquer validação oficial, científica ou institucional. O alerta é da CV Fact — Centro de Verificação de Factos e Combate à Desinformação de Cabo Verde —, que, após investigação junto das entidades competentes, classificou os conteúdos em circulação como enganosos.
De acordo com a Autoridade Reguladora de Comunicação Social (ARC), entidade responsável por fiscalizar as normas relativas a sondagens e inquéritos de opinião para divulgação pública, apenas uma sondagem foi registada e autorizada para divulgação ao longo do presente ano: o estudo realizado pela empresa Afrosondagem, entre 26 e 30 de dezembro de 2025, divulgado em janeiro de 2026 e disponível no portal oficial da ARC.
Sondagens depositadas, mas não autorizadas para divulgação
A ARC confirmou ainda ter recebido o depósito de sondagens da empresa CIEED, em abril e maio, igualmente sobre intenções de voto para as legislativas, mas frisou que estas foram entregues apenas para depósito e não para divulgação pública. Agnelo Sanches, do CIEED, confirmou o facto à CV Fact, assegurando que os dois estudos — depositados a 23 de abril e 14 de maio — não foram autorizados para publicação.
Já a Afrosondagem admitiu ter produzido uma nova sondagem para um cliente em abril, mas garantiu, por meio do seu presidente, José Semedo, que não autorizou a sua publicação, desconhecendo a origem da divulgação.
A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) também veio a público desmentir qualquer ligação à produção ou divulgação de sondagens eleitorais para as legislativas de 2026, demarcando-se das publicações que utilizam indevidamente o seu nome e logótipo.
Publicações sem rigor metodológico
A CV Fact recolheu e analisou várias das publicações que circulam em páginas e perfis de apoiantes partidários nas redes sociais. A análise revelou que a esmagadora maioria das alegadas sondagens não apresenta os elementos técnicos mínimos exigidos para estudos de opinião credíveis, designadamente: entidade executora, metodologia utilizada, dimensão e composição da amostra, margem de erro, período de recolha de dados, universo dos inquiridos e identificação do cliente responsável.
Em muitos casos, as publicações resumem-se a tabelas de resultados acompanhadas de símbolos partidários, sem qualquer informação que permita atestar a sua autenticidade.
Proibição legal em período eleitoral
Importa recordar que a legislação cabo-verdiana é clara nesta matéria. O artigo 99.º do Código Eleitoral proíbe a divulgação e o comentário de resultados de sondagens eleitorais desde o início da campanha eleitoral até ao fecho das assembleias de voto no dia das eleições. A circulação destas publicações em pleno período de campanha constitui, por isso, uma violação das normas eleitorais em vigor.
Risco de manipulação da opinião pública
A CV Fact concluiu que os conteúdos analisados são enganosos e potencialmente nocivos, por apresentarem alegados resultados eleitorais sem transparência metodológica, sem validação institucional e sem evidências públicas que permitam comprovar a sua credibilidade científica. O centro sublinha que a disseminação deste tipo de conteúdos, sobretudo por parte de estruturas de apoio partidário, tem como propósito influenciar e manipular as intenções de voto dos cidadãos, contribuindo para a desinformação no debate político e eleitoral.
Face ao cenário identificado, a CV Fact apela à população para que verifique a origem e a credibilidade de qualquer sondagem antes de a partilhar ou tomar como referência, e recomenda a consulta do portal oficial da ARC para aceder a estudos devidamente registados e autorizados para divulgação pública.
O relatório do CV Fact pode ser lido na íntegra aqui
Fontes: CV Fact – Centro de Verificação de Factos e Combate à Desinformação de Cabo Verde; Autoridade Reguladora de Comunicação Social (ARC); Afrosondagem; CIEED; Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).












































