Quarta-feira, 13 Maio 2026

Freskinhe Freskinhe

Dependência digital pode reduzir capacidades cognitivas, alerta especialista

O avanço acelerado da tecnologia e o consumo excessivo de informação estão a alterar a forma como o cérebro humano funciona, podendo comprometer capacidades cognitivas essenciais no futuro. O alerta é do neurocientista norte-americano Moran Cerf, que defende uma relação mais equilibrada entre os seres humanos e o universo digital.

SALWEB.cv

Conhecido pelos estudos sobre cérebro, comportamento e tecnologia, o investigador afirmou que o cérebro humano não foi preparado para lidar com a quantidade de estímulos e informação disponíveis atualmente, realidade que, segundo sustenta, afeta a capacidade de concentração, tomada de decisão e até os relacionamentos interpessoais.

Em entrevista à agência Lusa, Moran Cerf explicou que o cérebro continua biologicamente adaptado a uma lógica de sobrevivência antiga, o que dificulta a gestão da abundância criada pela era digital. Para o especialista, plataformas de entretenimento, redes sociais e aplicações digitais exploram precisamente essa vulnerabilidade, incentivando o consumo contínuo de conteúdos e criando uma sensação permanente de que existe sempre algo melhor ou mais interessante disponível.

O investigador considera que este excesso de opções tem impacto direto no bem-estar emocional e na capacidade das pessoas se sentirem satisfeitas com escolhas pessoais, relações ou experiências. Outro dos riscos apontados está relacionado com a crescente dependência da inteligência artificial e das ferramentas tecnológicas para executar tarefas que antes eram realizadas pelo cérebro humano.

Segundo Moran Cerf, funções ligadas à memória, orientação espacial e raciocínio tendem a ser menos utilizadas à medida que os dispositivos digitais passam a assumir essas responsabilidades. O neurocientista defende que essa transferência gradual de competências poderá provocar alterações cognitivas a longo prazo, sobretudo porque o cérebro humano funciona numa lógica de adaptação ao uso.

O especialista defende, por isso, uma maior consciência sobre a forma como a tecnologia influencia o comportamento humano, e alerta para o facto de a atual economia digital já não disputar apenas a atenção das pessoas, mas também a sua capacidade de pensar, interpretar e reagir à informação.

Apesar de reconhecer as vantagens da inteligência artificial em vários setores, Moran Cerf admite que o impacto futuro destas tecnologias sobre a cognição humana ainda levanta preocupações e poderá trazer consequências profundas para a sociedade.

Fonte: Lusa

SALWEB.cv AD

Tags

Partilhar esta notícia

Risco e Riso
Kriol na ponta língua
×