
Cabo Verde desceu dez posições no ranking mundial da liberdade de imprensa, passando do 30.º para o 40.º lugar, segundo o relatório anual divulgado hoje, 30, pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras.
A avaliação por indicadores revela recuos em todas as áreas analisadas. No plano político, o país caiu para a 34.ª posição, enquanto no indicador social passou para o 44.º lugar. No domínio económico, ocupa a 55.ª posição, sendo que a maior descida ocorreu no indicador de segurança, onde saiu do grupo dos dez primeiros para o 24.º posto.
Apesar da queda, a organização considera que o país mantém um ambiente favorável ao exercício do jornalismo, com a liberdade de imprensa consagrada na Constituição e um panorama mediático diversificado, incluindo televisão, rádio, imprensa escrita e plataformas digitais.
O relatório identifica, no entanto, preocupações quanto à influência do poder político sobre os meios públicos, cujas direções são nomeadas pelo Governo, situação que, segundo a RSF, pode condicionar a linha editorial e favorecer a cobertura de ações governativas.
Do ponto de vista legal, o relatório alerta para riscos associados a uma disposição do Código de Processo Penal que permite acusar jornalistas por violação de segredo de justiça, aplicada pela primeira vez em 2022, além de apontar a existência de autocensura ligada a pressões institucionais.
A RSF destaca ainda fatores socioculturais que condicionam o jornalismo investigativo, nomeadamente a proximidade entre os cidadãos num país de pequena dimensão, o que pode levar à evasão de temas sensíveis. Ainda assim, o país continua a evidenciar sinais de abertura, com cerca de 70% dos profissionais da comunicação social a serem mulheres, um dado que o distingue no contexto africano e internacional.












































