Sexta-feira, 14 Agosto 2026

Grande Entrevista

Diretor da British International School Cabo Verde: “A língua inglesa é essencial para o mundo global”

A educação integralmente em língua inglesa já chegou a Cabo Verde. Em entrevista ao Voz do Archipelago, o diretor da British International School Cabo Verde, William Arthur, explica de que forma um currículo baseado no modelo britânico poderá criar novas oportunidades académicas e profissionais para os cabo-verdianos, defendendo que o inglês constitui uma competência cada vez mais importante num mundo marcado pela mobilidade e pela internacionalização profissional.

Voz do Archipelago (VA) ─ Como surgiu a ideia da British International School Cabo Verde (BISCV)?

William Arthur (WA) ─ A ideia surgiu a partir de discussões com a Embaixada Britânica em Lisboa, que é responsável por Cabo Verde, através da Embaixadora Lisa Bandari, que conversou com os dirigentes do País sobre a possibilidade de instalarmos uma escola de língua inglesa aqui. Com Cabo Verde a atrair investidores, com organizações internacionais sediadas no País, os pais querem que os seus filhos estudem em língua inglesa. Assim, recebemos o convite de expandir a British International School até Cabo Verde. Temos também uma escola na Gâmbia e outra no Senegal, e sou CEO e headmaster de ambas, tal como em Cabo Verde. As nossas escolas são acreditadas pelo Council of British International Schools (COBIS), e a British International School Cabo Verde também irá trabalhar no sentido de obter a acreditação do COBIS

VA ─ Qual é a missão e a visão da BISCV?

WA ─ A nossa missão é garantir uma educação internacional de alta qualidade para que os nossos alunos se tornem cidadãos do mundo. A nossa visão é garantir que cada criança possa aprender e viver em qualquer lugar do mundo.

VA ─ A BISCV vai adotar o currículo britânico na íntegra?

WA ─ Sim, o nosso currículo é o Cambridge International Curriculum, desenhado pela Universidade de Cambridge, que é baseado no Currículo Nacional de Inglaterra, usado por mais de 10.000 escolas em mais de 162 países.

VA ─ Como se alinhará o Cambridge International Curriculum com o sistema de educação de Cabo Verde?

WA ─ A grande vantagem do Cambridge International Curriculum é que dá a cada British International School a flexibilidade de adaptar certas partes do seu currículo ao sistema educativo do país anfitrião. Além disso, o certificado da British International School é internacionalmente reconhecido e aceite em todo o mundo.

VA ─ Que faixas etárias e níveis de educação serão cobertos no próximo ano letivo, que será o ano da estreia da BIS em Cabo Verde?

WA ─ No próximo ano lectivo, que começa em setembro, abrangeremos alunos dos 3 aos 11 anos de idade. Começar nesta idade significa que conseguirão consolidar a aprendizagem da língua inglesa. Mas não estarão a aprender apenas inglês, mas também matemática, física, química, biologia, história, geografia e artes. Com excepção da língua portuguesa, a aprendizagem de todas as disciplinas será através da língua inglesa.

VA ─ Quais são os critérios de admissão?

WA ─ Nós sabemos que a maioria terá pouca ou nenhuma base de inglês. Por isso, seria injusto impor uma admissão. Assim, o único critério será a idade. Em 2027, abriremos inscrições para alunos dos 11 aos 14 anos de idade, e, em 2028, passaremos a acolher também alunos dos 14 aos 16 anos de idade. Vão receber uma educação em inglês de qualidade profissional, quando a língua inglesa é cada vez mais uma língua de referência a nível internacional.

VA ─ Por que escolheu estas faixas etárias? A minha pergunta é fundamentada no facto de que a maioria dos alunos cabo-verdianos não dominam o inglês e já terão perdido oportunidades de trabalho e formação por causa desta lacuna.

WA  ─ Vamos ter também aulas para adultos, que começam em outubro, porque nós recebemos muitos pedidos.

VA ─ Estou a referir-me aos alunos que terminam o ensino secundário, e que escolhem cursos em que o domínio do inglês é fundamental, como as engenharias, a medicina, ou vão estudar nos Estados Unidos da América ou outros países onde o inglês é a língua oficial, ou uma das línguas mais faladas. Vão ter aulas para esse tipo de alunos?

WA – Não tínhamos pensado sobre isso! Mas é uma excelente ideia! Pensámos nas crianças e nos adultos e profissionais, mas não nos lembramos desses alunos. Já temos muita coisa, e a minha assistente Keita está a olhar para mim como que a dizer “estás louco?! Queres ainda mais alunos!”, mas, sim, vamos pensar nisso. Podemos fazer cursos de verão e à noite.

VA ─ Os professores vêm todos do exterior?

WA ─ Temos uma mistura. A nossa office manager, a professora de Português e o professor de Educação Física são cabo-verdianos. Os restantes membros da nossa equipa docente são provenientes de países como o Reino Unido, os Estados Unidos da América, o Gana, a Gâmbia e a Índia.”

VA ─ Que recursos estarão disponíveis para os alunos?

WA ─ A escola dedicou uma parte significativa do seu investimento inicial a garantir que os alunos e professores dispõem dos recursos necessários. Adquirimos todos os nossos próprios materiais de ensino e aprendizagem, recursos para as salas de aula, equipamentos para o recreio, equipamentos desportivos e equipamentos de TIC. Estes recursos já chegaram ao Porto da Praia e estão atualmente em processo de desalfandegamento e entrega na escola. A Cambridge fornece-nos o currículo e os planos de trabalho que orientam o nosso ensino e aprendizagem. A literacia digital é também uma componente importante do nosso currículo, pelo que teremos um laboratório de informática dedicado, onde os alunos aprenderão computação e programação a partir dos cinco anos. Teremos também computadores e Smart TVs nas salas de aula, além dos restantes recursos de ensino e aprendizagem que adquirimos.

VA – Como sabe, a nossa língua materna é o crioulo cabo-verdiano, e a nossa língua oficial é o português, e a maioria dos nossos vizinhos da Costa Oeste Africana fala francês. Que mensagem deixaria aos cabo-verdianos, considerando a relevância de saber falar bem a língua inglesa?

WA –  A nossa filosofia educacional é muito diferente daquela a que os cabo-verdianos podem estar acostumados. Olhamos para as crianças como seres holísticos. Assim, não ensinamos apenas, ajudamo-las a desenvolver-se e crescer, capacitando-as para sobreviver internacionalmente, seja em Jacarta, Rio de Janeiro ou Budapeste! Ao invés de ensinar soluções, nós ensinamos-lhes a criar soluções, através do pensamento crítico. Quanto aos adultos, precisam de um nível de inglês que os torne profissionalmente competitivos.

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