A Universidade Jean Piaget de Cabo Verde completa este ano 25 anos de existência, com mais de 16 mil profissionais formados e uma taxa de empregabilidade superior a 97%, conforme revela a reitora Joanita Rodrigues, em entrevista ao Voz do Archipelago. A dirigente destaca o reforço da investigação científica, o reconhecimento internacional, além da aposta na internacionalização e na inclusão de estudantes com deficiência como marcos importantes destas duas décadas e meia da instituição. Porém, alerta para a diminuição do número de alunos, que ameaça a sustentabilidade financeira das universidades cabo-verdianas e, por isso, defende maior investimento do Estado na retenção de jovens no ensino superior nacional.
A Universidade Jean Piaget de Cabo Verde celebra este ano 25 anos de existência. Que balanço faz deste percurso e quais considera serem os marcos mais importantes desta história?
A Universidade Jean Piaget de Cabo Verde abriu as portas a 7 de maio de 2001, com o curso de Sociologia. Na altura, era um contexto marcado por uma fraca adesão do ensino superior aqui em Cabo Verde. De tal modo é que foi a primeira universidade criada no país. A universidade apareceu como uma tábua de salvação, porque o Cabo-verdiano sempre teve esse desejo de estudar. É certo que já havia essas iniciativas do ensino superior em Cabo Verde, mas que não avançavam para um campo de Universidade. Eu, por exemplo, vim cá completar a licenciatura, porque tinha apenas o bacharelato, que era o que se oferecia aqui em Cabo Verde.
E quando apareceu esta oportunidade eu fui das primeiras que abraçou para fazer o complemento. Porque ao mesmo tempo que se começou o curso de Sociologia para o primeiro ano de graduação, também abriram para os complementos de licenciatura. Havia um grande número de pessoas que já tinham feito o bacharelato e que queriam continuar. Então, esta Universidade surgiu como uma resposta aos desafios de Cabo Verde.
E, além de ser uma novidade no país, havia grandes ofertas formativas, por isso, despertou muita afluência das pessoas e elas estavam sedentas de uma formação superior. Assim, a universidade surgiu não apenas como um espaço físico, que permitia às pessoas virem cá fazer a formação, mas também como um espaço estruturado, uma Universidade com todos os elementos, com todas as características e toda a estrutura que se entende por uma Universidade. Esta Universidade tem posicionado desde esta altura como uma Universidade de referência, mas aqui a formação vai para além da capacitação académica, é também uma formação cidadã e uma formação de investigadores.
Quais são as transformações mais significativas que identifica na universidade?
A Universidade Jean Piaget de Cabo Verde surge num contexto em que ainda não havia regulação, e nós conseguimos crescer ao longo destes 25 anos, com todo o desenvolvimento do ensino superior em Cabo Verde. Depois, passamos a ter uma agência reguladora e crescemos com ela. Essa visava essencialmente trabalhar a questão da qualidade, porque a formação deve ser de qualidade, para que as pessoas possam crescer juntos com a Universidade e crescer em todas as áreas, na área da investigação, na área do ensino, na área da extensão da Universidade, a extensão académica, e ir mais além também na área da internacionalização da Universidade.
Falar dessa internacionalização para a Uni-Piaget é algo interessante, porque a esta universidade já nasceu internacional, pois pertence a uma família de universidades que estão sediadas em toda a CPLP. Nós estamos em países como Portugal, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Brasil, e agora há uma pretensão da Universidade, do Instituto Piaget, alargar também para Macau e para Timor-Leste.
Entretanto, nós adaptamos também a nova modalidade de internacionalização, esta se consolida através da mobilidade académica, quer dos estudantes, quer dos investigadores. Participamos dos eventos académicos internacionais e adaptamos ao novo modelo de internacionalização que hoje se coloca. Por isso, nós temos várias parcerias internacionais, com várias universidades espalhadas pelo mundo fora, não apenas aqui na nossa região, não apenas na CPLP, mas também na CEDEAO.
De que forma a UniPiaget contribuiu para a democratização do acesso ao ensino superior em Cabo Verde ao longo destes 25 anos?
É certo que a Universidade de Jean Piaget contribuiu para a democratização do ensino. Porque, quando abriu as portas, permitiu que a grande parte da população viesse estudar aqui. Além disso, nós temos um conjunto bastante amplo de universidades que foram criadas aqui em Cabo Verde para dar essa resposta. Entretanto, a universidade continuou mantendo a sua posição firme no mercado, mantendo uma posição firme na preparação de jovens e de quadros altamente qualificados que hoje servem aos diferentes setores e serviços nas empresas, na educação, na saúde, em diferentes áreas no nosso país. Abriu as portas com vários cursos e houve um leque diversificado de possibilidades para as pessoas poderem estar na formação superior em Cabo Verde.
Foi aqui o primeiro espaço onde as pessoas vieram e começaram a ter o grau de licenciatura aqui em Cabo Verde. Esta universidade também democratizou-se porque sempre teve esta perspetiva de ser uma universidade inclusiva, em todos os sentidos e em vários níveis. E até à presente data, nós somos a única universidade que tem programas de formação inclusiva jovens cegos, jovens surdos, com redução da locomotividade. Hoje nós temos formação especializada para esses jovens. E esses já estão a formar outras pessoas. Desde o dia 4 de maio deste ano, nós já formamos cerca de 80 pessoas na comunicação da língua gestual. Nós já formamos pessoas da Delegacia da Saúde e também a Polícia Municipal.
Isso tudo como uma resposta à inclusão, porque a inclusão não pode ser somente teórica. A inclusão tem de ter ação para ter impacto positivo na vida das pessoas. Nós estamos a trabalhar neste sentido, a democratizar o ensino, desde o início até a presente data e continuaremos no futuro a trabalhar para a inclusão também e democratização do ensino em Cabo Verde. Nós começamos com a democratização do ensino, levando o ensino digital, o ensino online, para as diferentes ilhas. Isto por duas perspetivas que nós analisamos. Uma, nós somos um país formado por ilhas. Mesmo dentro das ilhas, nós temos conselhos que ficam dispersos dos centros urbanos, que é Praia e Mindelo.
Então, nós trabalhamos neste sentido de levarmos o ensino com o uso das tecnologias a essas diferentes partes. Por isso, quando veio a pandemia, nós não tivemos problemas com o ensino, porque nessa altura nós já tínhamos preparado e já tínhamos, no ano anterior, em 2018, criado esse sistema de levar o ensino a todos os recantos de Cabo Verde. Então, nós incluímos levando a formação académica de alto grau a todas essas pessoas, a todos os recantos do nosso país.
Quantos profissionais já foram formados pela universidade e qual a taxa de empregabilidade dos alunos que já passaram pela Unipiaget?
A Universidade Jean Piaget de Cabo Verde já formou mais de 16 mil pessoas. Isto referente ao ano letivo transato. Agora, aqueles que iniciaram e concluíram, representa cerca de metade deste número. Neste momento, nós podemos dizer que temos milhares de jovens formados. Eu digo quase com total certeza, que não há uma única instituição em Cabo Verde que não tenha um profissional formado aqui na nossa universidade. Se não fizeram os cursos de graduação, foi de pós-graduação, agora do doutoramento, mas também da formação permanente, principalmente a Formação Pedagógica Inicial de Formadores. São muitas as formações permanentes que nós temos aqui na UniPiaget.
Este ano, nós lançamos mais um projeto, que é a Formação Pré-Universitária. Isto porque as universidades fora de Cabo Verde, nos têm pedido. Porque muitos estudantes chegam na universidade com muito déficit, principalmente quando vão estudar fora do país. Nós temos formado milhares de jovens e com a taxa de empregabilidade que nos dá maior gozo. A nossa taxa de empregabilidade ultrapassa os 90%. O último censo que fizemos aqui, a nossa taxa de empregabilidade estava a 97,3%. Estou a dizer em Cabo Verde e fora de Cabo Verde. Nós temos pessoas a exercerem na educação em Luxemburgo, nos Estados Unidos, em Portugal, pessoas formadas aqui cujo diploma foi reconhecido nesses países.
Como está a certificação da Uni-Piaget fora de Cabo Verde?
Nós temos publicado testemunhos de alguns jovens que foram com o diploma para fora do país, e quando chegaram os diplomas foram reconhecidos. E nos telefonam a agradecer à Universidade pelo trabalho feito. Nós temos um estudante da arquitetura que terminou a licenciatura aqui e foi fazer o mestrado em Portugal. Quando ele chegou, disseram-no que só precisaria fazer uma dissertação, porque o curso é completo. Hoje em dia não se pode pensar em formar um cidadão apenas para servir Cabo Verde. Nós temos de formar um cidadão com uma visão global, assi, ele pode chegar em qualquer sítio e exercer na sua área de formação. Nós temos pessoas que fizeram Ciências de Educação na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde que estão a trabalhar em Luxemburgo, na França, em Portugal, e nós temos pessoas da área das Tecnologias a exercer no Canadá.
Como a universidade está a preparar os estudantes para os desafios da inteligência artificial?
Não conseguimos andar à frente das tecnologias, deveríamos, mas não estamos a conseguir. É preciso trabalhar com as pessoas, primeiro com os nossos professores, para que possam compreender o que é isto, o que é que as tecnologias estão a trazer, quais são os desafios, que metodologias utilizar, como avaliar. É um passo que nós estamos neste momento a trabalhar com os nossos professores. Esta é uma metodologia muito boa, que vai levar o aluno a descobrir coisas. Vamos colocar as tecnologias ao nosso serviço. Os nossos professores estão a participar em vários eventos, em conferências, em ações de formação, para poder estar melhor preparados para dar as respostas. Preparados, poderão orientar os nossos estudantes em como utilizar de forma correta essas tecnologias.
E é aqui que a nossa aposta está, na formação permanente dos nossos professores, solicitando-os para estarem presentes nas grandes conferências. Este ano já elaboramos várias conferências internacionais para discussão desses aspetos. Por exemplo, nós começamos a falar de como é que nós vamos utilizar a inteligência artificial na cooperação académica. Como é que ela pode estar ao nosso serviço para cooperarmos com outras instituições com outras valências e partilhar também aquilo que nós temos. É isso que nós estamos a fazer, quer com os nossos professores, quer com os nossos estudantes. Não é ter medo. Parece que é uma ameaça, mas nós não temos de temer. Temos é de conhecer e posicionar.
Que investimentos têm sido feitos na modernização dos métodos de ensino e de infraestruturas?
A nossa universidade, ela se estrutura em sistemas. Por exemplo, na área de saúde, nós temos um sistema de saúde. Isso significa que temos um conjunto de cursos que vão dar suporte ao sistema de saúde. Esses vão ser acompanhados com grupos de investigação. Para o curso Ciências de comunicação, nós também criamos os nossos laboratórios de rádio, que neste momento estamos em fase de remodelação, para dar resposta aos desafios atuais. Porque aquilo que foi há 25 anos atrás, hoje já está um pouco desfasado da realidade e nós precisamos dar melhores respostas.
E nós não queremos uma rádio universitária apenas para servir a universidade, mas queremos uma rádio universitária interconectada com diversas universidades onde os jovens possam dialogar. Estamos neste momento no processo de remodelação da nossa rádio universitária, que também é a primeira rádio universitária de Cabo Verde. Temos o nosso estúdio de televisão, que também nós preparamos os nossos estudantes para o mercado de trabalho para que quando eles terminarem o curso, levem toda essa bagagem. Ao nível dos cursos das tecnologias, também temos os nossos laboratórios. Estes precisam de melhorias, sim, mas vamos fazendo aos poucos. Nós temos o nosso laboratório de ensino à distância que dá-nos o suporte.
Temos igualmente uma divisão tecnológica que está por detrás de toda a maquinaria, de estudo. Nós criamos as nossas salas de ensino à distância, tudo para dar essa resposta. Estou a dizer que já demos este passo e que à medida que vamos dando passos, vamos melhorando. À medida que vamos identificando cada necessidade, procuramos respostas para cada uma delas. A par disso, nós temos o nosso núcleo de acessibilidade e inclusão e o nosso núcleo de psicologia. Hoje nós temos o nosso Centro de Migração, Género e Desenvolvimento Sustentável, que é um conjunto de equipamentos pedagógicos para dar resposta aos cursos que nós facultamos aos nossos formandos.
Como avalia a evolução da produção científica da UniPiaget ao longo destas duas décadas e meia?
Nenhum estudante termina o seu curso se não conseguir fizer um trabalho de metodologia científica. É um exercício que se faz de iniciação científica, onde eles conseguem elaborar um problema, definir objetivos, traçar metodologias, fazer pesquisa de recolha de dados no campo. Nós temos aqui um grupo de investigação em doenças tropicais, com 14 anos de experiência, que é muito conhecido a nível internacional. Este grupo investiga as doenças transmitidas por vetores, por exemplo, a dengue, a malária, todas essas doenças.
Nós temos trabalhos muito bons já realizados, com publicações internacionais e participação em livros internacionais, eu estou a falar de publicações em revistas indexadas. Nós estamos sempre a criar esses sistemas de retroalimentação. Estamos muito satisfeitos, porque é um doutoramento que criámos aqui na Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, pois, anteriormente era um doutoramento feito em parceria com outras universidades. Por exemplo, no meu caso, eu fiz em parceria com a Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha.
Agora, isto foi criado por nós e nesse momento já temos cinco doutores produzidos aqui em desenvolvimento e sustentabilidade global. Um curso que tem uma abrangência muito ampla e está muito internacionalizado. Nós temos estudantes de diversos quadrantes, não somente de países africanos, mas também da América Latina. Temos que trabalhar cada vez mais com enfoque na investigação, porque a investigação é o pilar essencial de uma universidade. Neste momento, pertencemos a várias redes de investigação ao nível internacional e estamos a trabalhar em muitas parcerias, em muitas frentes, para podermos dar essa resposta.
Qual foi o maior desafio destes 25 anos de existência?
Os desafios são muitos, claro que nem tudo é um mar de rosa. Nós estamos a falar de 25 anos, mas também estamos a falar de um processo de construção, de como é que fomos construindo todo este processo, identificando as barreiras, ultrapassando-as, numa aprendizagem contínua. Hoje nós temos alguns desafios. Ao nível do ensino é uma questão de adaptação, de melhorias, para formarmos quadros cada vez mais qualificados. A nossa universidade deu este pontapé de saída na qualificação de quadros. Hoje, quando olhamos para as outras instituições, a grande maioria dos dirigentes que estão nas outras instituições fizeram o seu percurso aqui primeiro.
Nós temos outros desafios, que são desafios externos à universidade que vêm nos afetando. Por exemplo, a redução do número de estudantes. Hoje é uma realidade em todas as universidades. Essa redução do número de estudantes vai afetar também na sustentabilidade financeira da universidade. E quando afeta a sustentabilidade financeira da universidade, vai fragilizar o sistema de investigação, com menos massa crítica, menos capacidade de resposta. Então, este é um desafio não somente da nossa universidade, mas creio que todas as universidades estão a enfrentar.
Nós não estamos a vislumbrar políticas que venham travar esse grande problema em Cabo Verde. Estamos a assistir cada vez mais as instituições, inclusive as do Estado, a fazerem promoção para os jovens saírem do país para irem estudar em outros países os cursos que nós temos aqui em Cabo Verde. Eu não sou a favor de cortar ao jovem a sua ambição de formar fora. Nada disso. Mas o Estado no seu todo, quer o poder central, quer o poder local, tem o dever de garantir a sustentabilidade das suas instituições do país. Mas não é isso que está a acontecer.
Assistimos todos os anos caminhões e caminhões de jovens que saem do país para irem estudar fora. E este é um problema que está sendo posto sobre a mesa para que todos possamos, de forma descomplexada, criteriosa e rigorosa. Agindo assim, está-se a descapitalizar as instituições do nosso país para poder promover as outras instituições. Amanhã, quando olharem para trás, não vão ter a juventude. E a juventude é a força e a razão de ser de um país. Quando nós exportamos quadros qualificados o retorno é outro. Mas quando estamos a exportar os jovens de qualquer forma, é uma ilusão de retorno.
Os nossos jovens saem para fora, muitos não aparecem nas universidades, não fazem a formação, vão para os trabalhos menos remunerados. Eu digo isto com muita pena de ver os nossos jovens a serem despachados para fora para irem fazer o mesmo daquilo que nós temos aqui. Deve-se desafiar as universidades a formar quadros nessas áreas estratégicas para o país. Assim, as universidades vão encontrar resposta também. Cada ano estamos a ver essa redução do número de estudantes nas nossas universidades. As tecnologias também configuram um desafio, sim, se vem como uma potencialidade, também vem como um desafio. Como é que nós vamos conseguir ter as melhores tecnologias, estarmos melhor preparados se nós temos dificuldades, por exemplo, na sustentabilidade financeira das universidades, então nós temos de refletir sobre isso.
Por isso, lanço aqui um repto q todas as universidades de Cabo Verde: é tempo de sentarmos, analisarmos e refletirmos sobre o que é que podemos fazer. Estamos a responder aos desafios do nosso país? Queremos ajudar o nosso país? Porque se quisermos, nós vamos ajudar o nosso país a desenvolver nas diversas áreas e lá onde nós não tivermos essas competências, temos outros parceiros que poderão nos ajudar a desenvolver. Então, são vários os desafios, mas com maior centralidade na sustentabilidade das universidades. Se esse desafio for resolvido, o resto vem na linha e conseguimos dar respostas às necessidades do nosso país.
Que universidade quer deixar às próximas gerações?
Penso que nós vamos começar a pensar uma universidade do futuro de uma forma muito consciente. Para o futuro, nós podemos começar a traçar caminhos, temos de estar mais internacionalizadas, pois a globalização não é somente uma teoria, ela vai nos envolvendo e nós temos de estar preparadas. Essa globalização começa pela internacionalização, a mobilidade de professores, a mobilidade de estudantes. Isso tem de estar melhor consolidado numa perspetiva de futuro. Uma universidade criativa, porque se formos parar e pensar, neste momento, as universidades consomem as criações feitas, mas estou a dizer que daqui a 20, 30 anos, nós temos de sair do consumismo daquilo que é a criatividade, para sermos produtores.
Nós temos de produzir conhecimento científico através de investigações aplicadas, mas de investigações robustas, credível, quer aqui ou em qualquer parte do mundo. Claro, não é tudo é o nada, mas acrescentar valores naquilo que já foi feito, por exemplo. Hoje nós estamos ainda a trabalhar com a geração Z, com todos os desafios que nos colocam, mas nós sabemos que a geração Z já está a chegar ao fim. Porque daqui a 25, a 30 anos teremos outra geração e nós temos de estar preparados, temos de saber fazer a leitura daquilo que são os desejos desta nova geração que vamos ter e preparar-nos para ao menos acompanhar.
A investigação que vai nos mostrar outros caminhos, então eu perspetivo uma universidade mais inclusiva, mais internacionalizada, mais assente na investigação de qualidade. Eu creio eu que é por aqui que vamos ter o caminho de criação de infraestruturas tecnológicas. O retrovisor mostra-nos o passado e o passado é bom, porque o passado é referência, mas o para-brisa, mostra-nos à frente, o futuro, e é sempre maior. Mostra-nos o futuro que temos de ter mentes abertas, pessoas bem capacitadas, para poderem dar resposta aos desafios do futuro.