Quinta-feira, 28 Maio 2026

A análise de Alex Sgreccia

Viagem de Trump à China: mais um sinal do declínio do império dos EUA

A viagem de Trump à China foi aguardada com expectativa. O presidente dos EUA buscava aliviar as tensões decorrentes do fechamento do estreito de Hormuz, por onde passa grande parte do petróleo vital à economia chinesa. Trump queria o apoio de Pequim para chegar a uma saída honrosa para a enroscada em que se meteu ao atacar o Irã.

Foi acompanhado de uma comitiva de empresários em busca de acordos para diminuir o déficit comercial com a China. XI Jinping, por sua vez, esperava a oportunidade para demandar de Washington uma mudança em relação à Formosa, contrapartida na mediação do conflito com o Irã. O encontro que tiveram a portas fechadas foi precedido de pronunciamentos ressaltando a importância das relações entre as duas potências. “Devemos ser parceiros, não rivais. Devemos ajudar uns aos outros a ter sucesso, prosperar juntos e encontrar a forma adequada para que grandes países convivam na nova era”, afirmou o presidente chinês.

Na conversa que se seguiu, a questão de Formosa foi colocada como linha vermelha na continuidade da relação. O risco de confronto foi alertado por Xi Jinping, caso a o tema não seja conduzido “de forma adequada.” Um erro na sua condução poderia levar a relação a uma situação “muito perigosa”. A China considera a ilha parte do seu território, enquanto os Estados Unidos atuam para garantir sua autonomia. Nos últimos anos, os EUA forneceram armas a Taiwan, o que irritou Pequim.

Em resposta, o governo chinês ampliou a presença militar no entorno da ilha, o que também provocou críticas estadunidenses. Ao final do encontro, Trump evitou tocar no assunto. Apesar da disposição de cooperação e abertura do mercado chinês para empresas norte-americanas, Trump voltou para casa de mãos vazias. Nenhum novo acordo foi firmado na compra pelos chineses de carne, soja ou aviões, como pretendiam os empresários da comitiva estadunidense.

Ficou no ar a questão levantada pelo presidente chinês sobre o indesejado confronto entre os dois países, apresentado como a “armadilha de Tucídides”. O conceito foi cunhado pelo historiador grego ao analisar a guerra entre Atenas e Esparta no século IV a.C. Segundo esta interpretação, o crescimento do poder de Atenas teria gerado medo em Esparta, tornando o conflito inevitável.

A visita foi considerada mais um episódio revelador do declínio do império dos Estados Unidos, potência hegemônica do Século XX.  O Século XXI pertence à China.

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