Quinta-feira, 15 Outubro 2026

A análise de Alex Sgreccia

Três anos de destruição em Gaza: a solidariedade mundial contra o genocídio

Três anos depois do início da ofensiva militar israelense contra Gaza, em outubro de 2023, o que se apresenta ao mundo é um cenário devastador de mortes, destruição e sofrimento humano. Mais de 74 mil palestinos foram mortos, centenas de milhares ficaram feridos e praticamente toda a população de Gaza foi obrigada a abandonar suas casas. Bairros inteiros foram destruídos, hospitais, escolas e universidades sofreram ataques e milhões de pessoas passaram a depender de ajuda humanitária para sobreviver.

Nem mesmo o cessar-fogo firmado em outubro de 2025 interrompeu completamente a violência. A tragédia, denunciada por organizações internacionais de direitos humanos como genocídio, não pode ser tratada como uma vitória militar a ser comemorada. A lembrança das vítimas dos ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 é legítima, mas não pode servir para justificar a devastação de Gaza nem o sofrimento imposto à população civil palestina.Foi contra essa realidade que, neste sábado, 10 de outubro, uma extraordinária jornada internacional de solidariedade ao povo palestino levou multidões às ruas.

Manifestações ocorreram em Londres, Roma, Milão, Berlim, Dublin, Varsóvia e dezenas de outras cidades, integrando uma mobilização convocada por mais de 200 organizações, sindicatos, movimentos estudantis e entidades de direitos humanos. Em Londres, os organizadores estimaram mais de 250 mil participantes, enquanto Dublin reuniu mais de 10 mil pessoas. Na Itália, foram convocados protestos em cerca de 50 cidades.

As manifestações exigiram o fim dos ataques, a entrada irrestrita de ajuda humanitária, a suspensão do fornecimento de armas a Israel e a responsabilização pelas violações do direito internacional. A amplitude dessa mobilização demonstra que a questão palestina permanece no centro das preocupações de importantes setores da sociedade civil mundial.

O significado político dessas manifestações ultrapassa a denúncia da guerra. Elas expressam a recusa de milhares de pessoas em aceitar que a destruição de um território e o sofrimento de sua população sejam normalizados em nome da segurança ou de interesses geopolíticos. Três anos depois, Gaza permanece como um dos maiores dramas humanitários de nosso tempo e um desafio à credibilidade das instituições internacionais.

A solidariedade que tomou as ruas no sábado reafirma uma exigência fundamental: a proteção da população civil, o fim da violência, a responsabilização pelos crimes cometidos e o reconhecimento dos direitos nacionais do povo palestino. Não há vitória a celebrar sobre as ruínas de Gaza. Enquanto a população palestina continuar submetida à destruição, ao deslocamento e à privação de seus direitos, a exigência de justiça e paz continuará mobilizando consciências e atravessando fronteiras.

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