
O Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) e o Instituto do Arquivo Nacional de Cabo Verde (IANCV) assinaram esta terça-feira, 12 de maio de 2026, na Cidade da Praia, um protocolo de parceria para a recuperação de milhares de processos judiciais danificados pelas inundações de 11 de agosto de 2025 no Mindelo, ilha de São Vicente.
O acordo foi rubricado pelo Presidente do CSMJ, Bernardino Duarte Delgado, e pelo Presidente do Conselho Diretivo do IANCV, José Maria Borges Tavares, na Sala de Conferências do IANCV, numa cerimónia que marca o arranque oficial do “Projeto de Salvaguarda, Preservação, Tratamento e Disponibilização dos Arquivos Judiciais Danificados”.
As cheias provocadas pela tempestade ERIN afetaram gravemente o Palácio da Justiça de Mindelo, com particular incidência no arquivo, localizado na cave do edifício. Processos judiciais e administrativos acumulados ao longo de anos ficaram submersos em água e lama, colocando em risco um valioso património jurídico e institucional do país.
“O arquivo foi o mais afetado, tendo em conta a sua localização na cave, o que fez com que os processos arquivados ficassem todos danificados”, sublinhou Bernardino Delgado durante a cerimónia.
Com um orçamento de 16.593.000 escudos cabo-verdianos, integralmente financiado pelo CSMJ, o projeto terá a duração de 36 meses e será executado em três fases: higienização e secagem dos documentos; restauro e tratamento arquivístico; e digitalização e organização final do arquivo.
O IANCV assumirá a coordenação técnica e científica de todo o processo, que inclui atividades de desinfeção, conservação, restauro e disponibilização digital dos documentos através de um sistema de gestão documental. Para o efeito, serão mobilizados um arquivista coordenador, um técnico de conservação e restauro, e 15 jovens recém-formados.
Para além do objetivo imediato de recuperação, o Presidente do CSMJ destacou o alcance mais amplo da iniciativa: “Este projeto vai despertar a consciência para a relevância da organização e conservação do património arquivístico do país, sem esquecer a necessidade de continuarmos a mobilizar meios para a digitalização de todos os arquivos em Cabo Verde.”
O protocolo prevê ainda regras rigorosas de sigilo e ética profissional, dada a natureza sensível dos processos judiciais envolvidos.












































