
O representante da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Claudino Mendes, defendeu hoje, 24, a necessidade de cada país e sociedade desenvolverem recursos e alternativas próprias para a produção de energia, de forma a assegurar a segurança energética.
A posição foi expressa à margem de uma conferência sobre energia sustentável que decorre em São Vicente. Segundo Claudino Mendes, coordenador do Programa de Certificação de Competências em Energia Sustentável da CEDEAO, o petróleo tornou-se “um bem escasso”, pelo que é necessário encontrar alternativas, uma vez que “tudo está atrelado a esse recurso”.
O responsável fez estas considerações tendo em conta o contexto internacional atual, marcado pela guerra no Médio Oriente, que tem contribuído para o aumento dos preços dos combustíveis no mercado mundial.
“Sempre que há uma crise energética, fala-se em transição energética. A primeira transição energética ocorreu quando passámos do carvão para o petróleo. Houve então um ‘boom’, com a descoberta de novos recursos e a necessidade de tirar o melhor proveito. Agora, o problema tornou-se o petróleo”, afirmou.
No caso de Cabo Verde, país insular e com uma economia frágil, Claudino Mendes defende o reforço da cooperação internacional, tanto ao nível da importação como da adaptação de tecnologias ao contexto nacional.
O especialista sublinhou que o arquipélago dispõe de recursos naturais abundantes, como o sol e o vento, mas carece de estratégias e de investimento adequados para tirar pleno proveito desses recursos.
“O que precisamos, efetivamente, é de uma estratégia e de investimento próprio para conseguirmos aproveitar esses recursos. A cooperação internacional é muito importante para o desenvolvimento de tecnologias adaptadas que respondam às necessidades do país como um todo”, argumentou.
Claudino Mendes lembrou ainda que Cabo Verde já definiu metas no âmbito da estratégia energética, mas enfrenta desafios e crises recorrentes, o que, no seu entender, exige uma reflexão sobre essas orientações.
“Temos de olhar para esta questão sob várias perspetivas. Não se trata apenas de investir em novas tecnologias renováveis, mas também de sermos mais eficientes, quer nos hábitos domésticos, quer ao nível da construção e da utilização de recursos, que têm impacto económico na nossa vida quotidiana”, acrescentou.












































