
Os cabo-verdianos vão hoje às urnas para eleger os 72 deputados que vão compor a próxima Assembleia Nacional. As assembleias de voto abrem às 08h00 e encerram às 18h00. A campanha eleitoral, que decorreu entre 30 de abril e a meia-noite de quinta-feira, encerrou na noite de sexta-feira com grandes comícios dos principais partidos. Concorrem ao escrutínio cinco forças políticas — MpD, PAICV, UCID, PP e PTS —, com mais de 419 mil eleitores inscritos, um crescimento de cerca de 7% face a 2021.
PAICV quer “resgatar” Cabo Verde com o projeto “Cabo Verde para Todos”
O comício de encerramento da campanha do PAICV, realizado na Praia, foi palco de um discurso de combate do presidente do partido e candidato a primeiro-ministro, Francisco Carvalho, que subiu ao palco acompanhado de todos os membros da lista de Santiago Sul, bem como de presidentes de câmara e de assembleia municipal eleitos pelo PAICV em Santiago.
Francisco Carvalho afirmou que, se eleito, irá “resgatar” Cabo Verde através do seu projeto “Cabo Verde para Todos”, reiterando a denúncia de alegadas práticas de compra de consciência dos cidadãos — com distribuição de cestas básicas e depósitos em contas bancárias — que disse terem marcado a campanha.
O líder do PAICV voltou a insistir nas suas principais promessas eleitorais: saúde e ensino superior e profissional gratuitos, e transportes interilhas acessíveis, com viagens de navio por 500 escudos e de avião por 5.000 escudos. Francisco Carvalho garantiu que estas medidas são concretizáveis, defendendo que o financiamento passará por cortes nas despesas com estudos de consultoria — que disse consumirem milhões de escudos — e nas viagens em missão oficial.
Numa mensagem direta ao eleitorado, o candidato sublinhou que a implementação do seu projeto depende do resultado das urnas: só com o voto no PAICV terá a autorização popular necessária para governar.
MpD aposta em estabilidade e num Cabo Verde de rendimento alto
Na cidade da Praia, o presidente do MpD e candidato à sua própria sucessão como primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, encerrou a campanha afirmando que pretende continuar a governar “com e para todos os cabo-verdianos”, defendendo a estabilidade política, a boa governação e a credibilidade internacional como pilares do próximo mandato.
Perante apoiantes e dirigentes do partido, Ulisses Correia e Silva apelou à continuidade num “caminho seguro”, sobretudo num contexto internacional marcado por incertezas económicas e geopolíticas. Recordou os desafios dos últimos anos, com destaque para a pandemia de Covid-19, afirmando que o Governo “esteve ao lado da população nos momentos mais difíceis”.
Entre as prioridades para o novo mandato, Ulisses Correia e Silva apontou investimentos na habitação, requalificação urbana, energia renovável, cobertura universal de água, melhoria das condições de saúde e segurança, e modernização das infraestruturas.
O candidato reiterou também a ambição de elevar Cabo Verde ao grupo dos países de rendimento alto, através da continuidade das políticas de desenvolvimento económico e social.
UCID, PP e PTS encerraram com apelos à mudança e ao “voto inteligente”
A UCID encerrou a campanha com o lema “Mais equilíbrio, melhor governação”, reafirmando o seu posicionamento como terceira via face ao bipartidarismo. O presidente João Santos Luís percorreu várias ilhas ao longo da campanha, incluindo Santo Antão na reta final, apelando a um “voto inteligente” capaz de romper com décadas de alternância entre MpD e PAICV.
O Partido Popular (PP), liderado por Amândio Vicente, e o Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS), encabeçado por Jónica Brito, concorrem em seis círculos eleitorais cada, com programas centrados na justiça social, no combate ao custo de vida e na redução das desigualdades.
CNE faz alertas e apelos
Através das suas redes sociais, a CNE apelou ao respeito das regras junto das assembleias de voto, frisando que a colaboração dos eleitores “ajuda a garantir um processo eleitoral organizado, seguro e transparente.
Simultaneamente, a CNE avisa que são proibidas as seguintes práticas nas proximidades das assembleias de voto: venda de bebidas alcoólicas num raio de 500 metros das assembleias de voto; utilização de telemóveis, máquinas fotográficas ou outros dispositivos de captação de imagem; a instalação de postos de informação ao eleitor num raio de 500 metros das assembleias de voto; e estacionamento de veículos em frente às assembleias de voto.
Na véspera das eleições, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) deliberou, por unanimidade, encaminhar ao Ministério Público, à Polícia Nacional e à Polícia Judiciária as denúncias relativas à alegada distribuição de cestas básicas no estabelecimento comercial “Palácio Fenícia”, no Palmarejo, a favor de particulares. A CNE solicitou intervenção imediata e urgente para averiguação dos factos, identificação de eventuais responsáveis e apuramento da existência de entidades mandatárias por tais práticas.
O organismo lembrou que o Código Eleitoral proíbe a concessão de donativos, bens ou mercadorias suscetíveis de influenciar eleitores, podendo essas práticas configurar crimes eleitorais previstos nos artigos 290.º e 311.º do diploma.
A CNE credenciou também 218 observadores internacionais para acompanhar o processo eleitoral de hoje, formalizou parcerias para o transporte de eleitores com mobilidade reduzida, e reafirmou que continuará “vigilante e atuará com firmeza perante quaisquer práticas suscetíveis de comprometer a legalidade, a transparência e a integridade do processo eleitoral”.
O que está em jogo hoje
Estão em disputa 72 lugares na Assembleia Nacional, sendo 66 eleitos pelos círculos nacionais — com Santiago a eleger 33 deputados — e seis pelos círculos da emigração. Os eleitores devem apresentar o seu documento de identificação para votar. Às 18h00 encerra a votação e cessa também a proibição de divulgação de sondagens e inquéritos de opinião.












































