Quinta-feira, 14 Maio 2026

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BCV prevê abrandamento económico em 2026

O Banco de Cabo Verde (BCV) prevê uma desaceleração do crescimento económico nacional em 2026, devido ao agravamento das tensões geopolíticas internacionais, aumento dos preços do petróleo e incertezas na economia mundial.

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As previsões constam do Relatório de Política Monetária de abril de 2026, divulgado pelo banco central, que aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5 por cento este ano, abaixo dos 6,3 por cento registados em 2025.

Segundo o BCV, o atual cenário internacional, marcado pelos conflitos no Médio Oriente e pela guerra na Ucrânia, deverá ter impacto nos preços da energia, transportes e produtos alimentares, afetando economias dependentes das importações, como a cabo-verdiana.

O relatório alerta que a subida dos custos externos poderá pressionar o consumo das famílias e aumentar os encargos das empresas nacionais. Para 2027, o banco central prevê uma recuperação moderada da economia, e estima um crescimento de 4,9 por cento.

No plano da inflação, o BCV estima uma subida para 2,7 por cento em 2026, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços da energia e dos produtos alimentares importados. Para o próximo ano, a projeção aponta para uma desaceleração da inflação para 1,8 por cento, acompanhando a esperada estabilização dos mercados internacionais.

Apesar do contexto externo considerado desfavorável, o banco central destaca que a economia cabo-verdiana apresentou um desempenho positivo em 2025, sustentado sobretudo pelo turismo, remessas dos emigrantes e transferências privadas.

As contas externas do país mantiveram-se favoráveis no último ano, permitindo o reforço das reservas internacionais líquidas, que atingiram cerca de 1,1 mil milhões de euros, equivalentes a aproximadamente nove meses de importações.

O BCV refere ainda que o sistema financeiro nacional continua estável, com indicadores prudenciais considerados sólidos, incluindo uma redução do crédito malparado e níveis de solvabilidade acima do mínimo exigido.

Num cenário considerado mais severo, o banco central alerta que o preço do barril de petróleo poderá atingir os 145 dólares no segundo trimestre de 2026, com impactos mais acentuados sobre a inflação, crescimento económico e contas externas.

Perante este enquadramento, o BCV decidiu manter as taxas de juro de referência nos níveis atuais, reafirmando o compromisso com a estabilidade dos preços, a robustez do sistema financeiro e a preservação da credibilidade cambial do país.

SALWEB.cv AD

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